Tecnologia aproxima mundo rural e urbano. Pandemia acelerou processo

  • ECO
  • 14 Dezembro 2020

Pandemia acelerou conectividade rural e pode levar mais projetos empreendedores para regiões com menos população.

A pandemia de Covid-19 acelerou o desenvolvimento da conectividade nas zonas rurais e pode potenciar o êxodo de mais projetos e pessoas para zonas menos populosas do país, considerando a tecnologia um facilitador desse processo. Esta foi uma das conclusões do debate sobre “Mulheres empreendedoras e conectividade rural”, promovido na passada sexta-feira pelo ECO e pela Huawei.

Para Berta Herrero, senior EU Public Affairs manager da Huawei, “2020 lembrou-nos da importância da tecnologia que nós tomávamos como garantida”. “A conectividade já não é um produto de base diária, ela garante os nossos direitos. É uma espécie de direito, ela mesma. E a pandemia prova-nos que o valor não é criado nos standards habituais, na produção industrial, apenas”, assinala a responsável.

A tecnologia é também, cada vez mais, um motivo de fixação de populações longe dos centros urbanos. Amélia Santos, cofundadora e CEO da tecnológica Innuos, é um desses casos. “Pensámos que o projeto teria um maior impacto no Algarve do que em Lisboa ou no Porto”, sublinha. “As pessoas consideravam o Algarve um ótimo sítio para passar férias, e descobrir que esta tecnologia se fazia aqui era uma agradável surpresa. (…) E a imagem do país está a mudar”, sublinha a empreendedora. “Seria fácil voltar para Lisboa mas achámos que o projeto teria maior impacto numa região como o Algarve, que está tão assente na atividade do turismo. Por outro lado, a qualidade de vida e o custo de vida são muito diferentes, assim como os fatores de atração de talento”, acrescenta.

Foi também longe de Lisboa, no Alentejo, que Rita Soares e a família decidiram investir, primeiro na produção de vinho e, agora, em turismo. “Foi um sonho, decidimos em 98 que tínhamos condições de investir no interior do Alentejo, uma das regiões do país com melhores vinhos”, assinalou a administradora do projeto Malhadinha Nova. “Mudámo-nos para o Algarve há muitos anos e, começar um projeto do zero no Alentejo, quando comprámos a propriedade, foi um caminho de dedicação, trabalho e paixão”, sublinhou.

Para Luísa Almeida, fundadora do projeto de agricultura biológica Quinta do Arneiro, a paixão pelas zonas mais rurais materializou-se quando percebeu que, através da tecnologia, podia chegar tudo o que fazia às cidades, e aumentar a consciência da população mais citadina sobre a natureza que a rodeia. “Trabalho no solo, no campo todos os dias. Cultivamos, entregamos na cidade e usamos a internet para vender os nossos produtos. É um mundo cool mas muito stressante porque acreditamos que entregar produtos biológicos é um dos trabalhos mais importantes, já que as cidades deveriam ter mais conhecimento sobre o que fazemos em termos de entrega de comida. (…) Sou viciada neste mundo rural”, justifica.

Isabel Ferreira, secretária de Estado da Valorização do Interior, admite que as regiões menos urbanas foram, efetivamente, observadas com maior cuidado durante os últimos meses. “Quando procuramos conectividade temos acesso a tratamentos de saúde, educação, transportes, etc.. Mais importante é criar emprego, dar apoio ao crescimento de empresas, pesquisa, estimular a mobilidade das pessoas para estas regiões de fraca densidade populacional. (…)”, sublinha, acrescentando que “estas ferramentas que permitem o teletrabalho” são “fator essencial para a atração de talento para as regiões mais interiores, que permitem trabalhar de qualquer parte do mundo. Estas ferramentas são muito poderosas porque criam dinâmicas e lógicas de proximidade”, acrescenta.

Assim, quase tão importante como a conectividade é a forma como ela se torna um assunto cada vez menos tabu no discurso e no dia-a-dia das populações, conclui Berta. “Para uma mudança acontecer, é preciso mudar a linguagem. As áreas rurais europeias são os tesouros escondidos da Europa, e também são casa de heróis desconhecidos. É muito importante dar valor ao que o tem, e as nossas áreas rurais são um destes casos. O rural é o novo cool”, termina.

 

Veja o debate completo aqui:

 

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