De Londres a Praga, Europa volta a confinar à espera de um Natal seguro

  • ECO
  • 16 Dezembro 2020

Recolher obrigatório mais cedo, escolas e comércio não essencial fechados, uso de testes antigénio. Governos multiplicam medidas para que o Natal seja o mais seguro possível.

Na Europa, a segunda vaga da pandemia tanto abranda, como acelera. No outono vários países impuseram confinamentos parciais, como a Alemanha, França, Holanda e até o Reino Unido. Porém, os novos casos voltaram a aumentar recentemente — ou teimam em não abrandar — e os governos viram-se obrigados a agir, com receio que os contágios aumentem ainda mais nesta época festiva.

Do Reino Unido à República Checa, vários são os países que impõem novas medidas. Já em França, há um ligeiro levantamento das medidas, mas menor do que se esperava. Outros países ainda estão a estudar as possibilidades. É o caso de Itália, onde os governantes estão divididos quanto ao rumo a tomar, mas também Portugal, onde o plano para as festas será revisto na sexta-feira, 18 de dezembro.

Recolher obrigatório mais cedo, escolas e comércio não essencial fechado, uso de testes antigénio, são apenas algumas das medidas adotadas. Alguns países contam já com um confinamento mais duro do que na primeira vaga. Tudo para que o Natal seja o mais seguro possível.

Reino Unido

Londres vai entrar no “nível 3” de restrições, anunciou o ministro da Saúde, Matt Hancock, na segunda-feira. Mas a cidade não está sozinha, em Inglaterra também partes de Essex e de Hertfordshire passam para o nível de restrições máximo do país, avançou o The Guardian. Assim, bares e restaurantes vão funcionar apenas com take away e entretenimento em locais fechados e hotéis vão encerrar. Por outro lado, retalho, ginásios, igrejas e escolas podem continuar abertos.

Adicionalmente, encontros entre pessoas que não fazem parte do mesmo agregado familiar só poderão ocorrer ao ar livre e em locais públicos. Não é proibido viajar para fora da sua zona, mas não é aconselhado.

Na terça-feira o país registou mais de 18.000 infeções. Depois do pico em novembro, este número tem vindo a aumentar desde o início do mês. O número de casos por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias era, a 14 de dezembro, 348,2, segundo os dados do Centro Europeu para Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, em inglês).

Países Baixos

Os Países Baixos vão entrar no confinamento mais duro desde o início da pandemia. Na segunda-feira, o primeiro-ministro, Mark Rutte, anunciou o encerramento do país até 19 de janeiro. Isto significa o fecho de creches, escolas e atividades não essenciais (museus, jardins zoológicos, restaurantes, bares, cabeleireiros, ginásios). Abertos ficam apenas os supermercados, mercearias, farmácias e bancos. No primeiro confinamento, as escolas permaneceram abertas.

As famílias são ainda aconselhadas a ficar em casa e a receber, no máximo, duas pessoas por dia e três no Natal.

O número de infeções tem vindo a crescer no país, apesar do decréscimo registado na terça-feira (6.682). Ainda assim, a taxa de incidência nos últimos 14 dias por 100.000 habitantes tem aumentado desde o final de novembro, situando-se nos 546,7 casos na segunda-feira, 14 de dezembro, segundo os dados do ECDC.

Alemanha

A partir desta quarta-feira, 16 de dezembro, até pelo menos 10 de janeiro, a Alemanha entrará numa nova fase do confinamento. Porém, Helge Braun, chefe do gabinete de Angela Merkel, disse ser pouco provável levantar estas restrições em meados de janeiro.

Apenas o comércio essencial, como supermercados e farmácias, bem como bancos, continuará aberto. Já os cabeleireiros e similares terão de fechar. Os estabelecimentos que já estavam encerrados, como restaurantes, assim continuarão. As escolas também vão fechar e os trabalhadores são aconselhados a ficar em teletrabalho.

Os ajuntamentos privados continuam limitados a cinco pessoas de dois agregados familiares, com exceção do Natal, em que as regras serão menos apertadas para as famílias poderem estar juntas.

A taxa de notificação acumulada a 14 dias por 100.000 habitantes situava-se nos 341,1 casos na segunda-feira, segundo o ECDC. Na terça-feira foram confirmados mais 14.432 casos e 500 óbitos, o terceiro maior número de mortes em 24 horas desde o início da pandemia.

República Checa

O Governo anunciou, na terça-feira, que bares e restaurantes vão fechar fechar e que as lojas e serviços continuam abertos, mas vão ter de obedecer a regras mais apertadas de higiene. Adicionalmente, haverá recolher obrigatório entre as 23h e as 07h.

As visitas aos lares continuam a ser permitidas, mas terá de ser feito um teste de antigénio antes. Estes testes são a aposta do Governo checo que lançou uma campanha para a população os fazer de modo a detetar-se mais rapidamente surtos da doença.

Desde do relaxamento de restrições, que ocorreu há cerca de um mês, a taxa de reprodução (número de pessoas infetadas por caso positivo) subiu para 1,2, nível semelhante ao de meados de outubro, quando os checos lideravam o ranking de contágios da União Europeia, informa a Lusa.

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