Marcelo acredita que esquerda vai viabilizar próximos Orçamentos do PS

O Presidente da República não antevê uma crise política nos próximos dois anos, argumentando que não será "mais difícil" aprovar os dois próximos Orçamentos do Estado.

O Presidente da República acredita que os partidos que têm apoiado o atual Governo do PS vão continuar a fazê-lo nos próximos dois Orçamentos do Estado. Marcelo Rebelo de Sousa argumentou que os orçamentos são sempre de difícil negociação e que não prevê que o grau de dificuldade aumente nos OE para 2022 e 2023, antes das eleições legislativas de 2023.

Eu acredito que há condições que, quem viabilizou dois Orçamentos, viabilize mais dois“, disse Marcelo numa entrevista esta terça-feira à noite à RTP. O agora recandidato às presidenciais de 2021 considera que as negociações do Orçamento do Estado para 2021 foram tão difíceis quanto as da legislatura anterior em que havia um acordo escrito assinado pelo PS, PCP, BE e PEV. Ainda assim, o Bloco desta vez votou contra o OE 2021 pela primeira vez desde 2016.

“Se por ventura isso vier a acontecer, naturalmente o Presidente da República eleito a 24 de janeiro, supondo que sou eu, terei de aplicar a teoria que defini na minha primeira candidatura: há uma solução de Governo com a mesma composição parlamentar? Sim, vamos formá-lo. Não há uma composição de Governo, então aí há que ponderar a dissolução“, descreveu Marcelo Rebelo de Sousa sobre o futuro da estabilidade governativa.

O Presidente da República disse ainda que “nunca” achou que o atual primeiro-ministro, António Costa, quisesse realmente criar uma crise política para provocar eleições antecipadas. Apesar de haver essa tentação num Governo minoritário, Marcelo é de opinião que o Executivo não caiu nessa tentação, até porque considera que “avançar para eleições por iniciativa do próprio Governo é um risco enorme para o próprio Governo”.

Questionado sobre as críticas de alguma direita ao seu mandato, o candidato às eleições presidenciais argumentou que esteve sempre do lado dos portugueses e que não foi um Presidente de “fação”. Admitiu que “apertou” o Governo em algumas situações, mas que a maioria dos estudos de opinião apontam para uma maioria de portugueses a querer uma continuação da atual maioria de esquerda até ao final da legislatura.

Em relação especificamente ao OE 2021, o qual promulgou esta terça-feira, Marcelo Rebelo de Sousa deu ênfase a alguns reparos feitos na sua justificação, relembrando que “as empresas têm defendido um aligeirar dos impostos”, o que acabou por não se concretizar neste orçamento, e que é preciso não só olhar para o défice mas também para o drama social.

O Presidente da República admitiu também que poderia ter feito um “comentário mais duro” ao OE caso o país não estivesse mergulhado na crise pandémica. Contudo, afastou a possibilidade de estar a chumbar o OE ou enviá-lo para o Tribunal Constitucional: “Não é aconselhável”, concluiu.

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