Amazon, Berkshire e JP Morgan falham a seguradora de sonho

  • ECO Seguros
  • 5 Janeiro 2021

A seguradora Haven que juntava Amazon, Berkshire Hathaway e JP Morgan & Chase para revolucionar a Saúde nos Estados Unidos fechou agora, ao fim de três anos.

A Haven, seguradora de saúde resultante de joint venture entre a Amazon, a seguradora Berkshire Hathaway e o banco J.P. Morgan & Chase, anunciou que vai encerrar suas operações em fevereiro. Parte dos 57 funcionários da companhia, sediada em Boston, deve ser realocada em cada uma das empresas por trás da joint venture e um comunicado publicado no site da seguradora afirma que “nos últimos três anos, a Haven explorou uma ampla gama de soluções de saúde”, acrescentando que a “Amazon, Berkshire Hathaway e JP Morgan vão aproveitar esses insights e continuarão a colaborar informalmente para projetar programas que atendam necessidades específicas de seus próprios funcionários”.

Jeff Bezos (Amazon), Warren Buffett (Berkshire Hathaway) e Jamie Dimon (JP Morgan & Chase), não conseguiram mudar o sistema de saúde dos Estados Unidos.

As dúvidas agora expostas são os motivos que levaram a este falhanço de insuspeitos homens de negócios como Jeff Bezos, na área tecnológica e comercial, Warren Buffett com a experiência de uma das maiores seguradoras do mundo e Jamie Dimon, CEO de um dos maiores grupos financeiros do planeta.

Os três tinham partido para o projeto Haven com a promessa de democratizar o acesso e transformar o sistema de saúde nos Estados Unidos e, no comunicado de fecho, fala-se em algumas conquistas. O Sistema é caracterizado, por um analista, como um complicado e sistema de trincheiras com médicos, seguradores, farmacêuticas e intermediários a disputarem um mercado de 3,5 biliões de dólares. Mudar o sistema de saúde americano revela-se um desafio que nem três estrelas dos negócios com retaguardas poderosas conseguiram ultrapassar.

As ideias de Bezos, Buffett e Dimon partiam de base sólida. Os seguros de saúde com co-pagamento pelas empresas empregadoras abrange 157 milhões de pessoas, metade da população do EUA, segundo a Kaiser Family Foundation, organização especialista em saúde. E esta é a parte mais sistematizada num mercado de saúde muito pulverizado.

A empresa criaria novas soluções e trabalharia para mudar sistemas, tecnologias, contratos, políticas e “qualquer coisa” que estivesse no caminho de um melhor atendimento. Essencialmente tratava-se de cortar custos. Uma fonte da empresa afirmou que a Haven já tinha identificado áreas de abordagem aos custos com medicamentos prescritos, preparando-se para enfrentar “fraude, desperdício e abuso”.

Outro dado fundamental é que nos Estados Unidos os custos com cuidados de saúde há muito subiam acima da inflação e dos salários, sendo um motivo de preocupação para famílias e empresas. Depois, só os três grupos, Amazon, Bershire Hathaway e JP Morgan permitiam arrancar com uma base, direta e indireta de empregados,de um milhão de clientes.

Este foi um um dos principais erros de análise. Enquanto a empresa desenvolvia as suas ideias, o trio de companhias fundadoras executava seus próprios projetos separadamente, com seus próprios funcionários. A empresa de Bezos já tinha a Amazon Care em andamento antes do lançamento da Haven e terá sido relutante em abandonar o seu projeto por outro.

A falta de liderança é outro dos problemas apontados à Haven. Atul Gawande, um cirurgião famoso, professor em Harvard e escritor foi nomeado CEO. O perfil deste cargo exigia um profundo conhecimento sobre o funcionamento de seguradoras, ser desembaraçado quanto à burocracia da gestão e dedicar-se totalmente à tarefa. Segundo fontes citadas na imprensa americana, Gawande não preenchia nenhuma destas necessidades e, em maio passado, passou de CEO a Chairman para se preocupar com a Covid-19.

Este encerramento foi especialmente significativo para três companhias: A United Health, a maior seguradora do mundo, a Humana e a CVS, também seguradoras gigantes nos Estados Unidos via área da saúde. Se há três anos tinha sido uma preocupação, agora foi um alívio.

Das intenções dos três grandes empresários que lançaram a Haven ficou uma amizade, vão cooperar no futuro, aproveitar o trabalho que se fez. O mudar o sistema fica para depois, Buffett já tinha avisado numa entrevista durante 2020: “Não estou certo de que a Haven vai resultar”. Tinha razão.

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