Dispararam as reservas dos britânicos para o Algarve, mas passou-se “de um vazio para alguma procura”

Boris Johnson desvendou o plano de desconfinamento, com a permissão das viagens aéreas, e não tardou até os turistas fazerem disparar as reservas para Portugal. Procura pelo Algarve disparou.

O Reino Unido desvendou, finalmente, os detalhes do plano de desconfinamento do país, apontando uma data para a retoma das viagens aéreas. Se a situação pandémica não piorar, a partir de 17 de maio os britânicos poderão viajar para fora e gozar das tão desejadas férias, com muitos a elegerem o sul de Portugal. Agências de viagens, companhias aéreas e hotéis apontam para aumentos de reservas de 600%, mas setor pede contenção no entusiasmo. Números são ainda irrisórios.

Boris Johnson comunicou aos britânicos o plano de desconfinamento do país, que vai arrancar a 8 de março com a abertura das escolas. Será um processo gradual e, a 17 de maio, serão retomadas as viagens internacionais. Desde então, a procura por destinos de férias para o verão por parte dos britânicos disparou. Dados citados pelo The Guardian (conteúdo em inglês) referem subidas na ordem dos 600% na procura por pacotes de férias para vários destinos e de cerca de 300% nos voos.

Entre os destinos citados pelo jornal britânico estão a Grécia, Espanha, Itália, Turquia e… Faro, em Portugal. “As reservas aumentaram 600%”, confirma o vice-presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT) ao ECO. Contudo, Duarte Correia alerta: “O que aconteceu nestes dias foi que não tínhamos quase reservas nenhumas e passamos a ter alguma coisa”.

Desde que o primeiro-ministro britânico anunciou que a partir de 17 de maio as pessoas podiam viajar, todos os players do mercado notaram que as reservas apareceram. Mas isto é muito relativo.

Duarte Correia

Presidente da Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT)

O responsável nota que, realmente, “houve um boom, mas foi um boom relativo”. “Desde que o primeiro-ministro britânico anunciou que a partir de 17 de maio as pessoas podiam viajar, todos os players do mercado notaram que as reservas apareceram. Foi de um momento para o outro. Mas isto é muito relativo. Se Boris Johnson amanhã disser o contrário, vai acontecer a mesma coisa, mas ao contrário”.

Trocando por miúdos, Duarte Correia esclarece: “O que tínhamos, que era quase nada, multiplicado por seis vezes é bastante em termos de leitura imediata, mas muito escasso em termos de reservas“. O responsável exemplifica ainda que quando há uma reserva e se passa a dez, observa-se uma subida de 1.000%. É um aumento significativo, mas em termos absolutos continua a ser um número baixo para o setor.

Em declarações ao ECO, o presidente do Turismo do Algarve também confirma esta tendência, explicando que “a calendarização do desconfinamento do Reino Unido acabou por ter esse efeito nos que estavam à espera dessa janela de oportunidade”, como se observou no verão passado em relação aos corredores aéreos britânicos. Contudo, também João Fernandes nota que se passou de um “vazio” para “alguma procura”.

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), está “convicto” de que, assim que as restrições de viagens por causa da Covid-19 forem abolidas, “o mercado britânico irá certamente procurar Portugal, o Algarve em particular”. Contudo, alerta que “ainda é cedo para fazer previsões”.

Com a mesma cautela estão também as companhias aéreas. Fonte oficial da Tui adiantou ao ECO que até 17 de maio não operará a partir de Inglaterra. Além disso, o ECO apurou junto de fonte próxima da easyJet que, a partir do momento em que as restrições forem dadas como terminadas, a procura será mais expressiva. Mas, por enquanto, “ninguém está a abrir as slots todas porque as restrições continuam”.

Efeito na hotelaria ainda é residual

O presidente do Turismo do Algarve nota que esta “primeira procura” pode ser explicada pelo número de pessoas que tem uma segunda residência no Algarve. “Isso acontece em larga escala com muitos britânicos”, nota João Fernandes. Mas haverá, certamente, outros motivos, dado que o Algarve não é único destino nacional a despertar o interesse dos turistas do Reino Unido.

Entre os destinos mais procurados está também a Madeira, nota o presidente da APAVT. “Não há dúvida que nos destinos resort a procura disparou. E disparou imenso. Nos destinos city-break também, mas obviamente estamos a falar sempre de estadias mais pequenas. Na sua generalidade, as reservas dispararam, mas mais nos resorts por causa dos pacotes”, explica Duarte Correia.

Mas também as plataformas de reservas de alojamento notam um aumento da procura, segundo o presidente da APAVT. O ECO questionou o Airbnb, mas a empresa recusou adiantar dados, enquanto a Booking não respondeu até ao momento de publicação deste artigo.

Contudo, o presidente do Turismo do Algarve salienta que esta procura está a ser mais sentida a nível de reservas de voos e não na hotelaria. Ao ECO, o administrador do Grupo Vila Galé, Gonçalo Rebelo de Almeida, nota que, “por agora, ainda não se registou uma variação significativa nas reservas”. O mesmo disse fonte oficial do Grupo NAU, referindo que as reservas continuam a ser baixas.

No primeiro dia após o anúncio do Reino Unido, multiplicamos por sete o número de reservas provenientes [desse país]. Mas a base era praticamente inexistente. Temos de ver se o comodamente se solidifica e se passa a ser tendência marcante.

Paulo Prada

Administrador do Grupo Pestana

Ainda assim, o Pestana já começa a sentir algum efeito, embora continue a ser pouco. “No primeiro dia após o anúncio [do plano de desconfinamento] do Reino Unido, multiplicamos por sete o número de reservas provenientes” desse país, disse ao ECO Paulo Prada, administrador da cadeia hoteleira, referindo-se aos hotéis no Algarve e na Madeira. Contudo, o responsável nota que “a base era praticamente inexistente” e que é necessário esperar para “ver se o comodamente se solidifica.

Este anúncio de Boris Johnson poderá, assim, ser uma lufada de ar fresco para o setor do turismo. Contudo, os players alertam para a necessidade de se ter cautela e de não se criar um entusiasmo que pode sair fracassado. “É muito cedo para estar a dizer o que vai acontecer. Temos feito prognósticos e tem dado tudo errado”, diz o presidente da APAVT. “Acredito que vamos abrir para o verão. A partir de junho ou julho estaremos de volta à atividade. Podemos é não estar ao nível de 2019. Isso garanto que não vai acontecer. Só depois de 2022“, remata.

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