Já nove países europeus suspenderam uso da vacina da AstraZeneca

Depois da Áustria, mais oito países suspenderam toma da vacina da AstraZeneca. Em causa está o caso de uma enfermeira que morreu dez dias depois de ser vacinada. EMA diz que vacina não é a causa.

Este fim de semana, a Áustria anunciou a suspensão da administração de um lote da vacina da AstraZeneca. Seguiu-se a Estónia, Lituânia, Luxemburgo, Letónia e, esta quinta-feira, a Dinamarca, a Noruega, a Itália e a Islândia. Em causa está a morte de uma enfermeira e o registo de sintomas graves noutra, depois de ambas terem sido vacinadas com o fármaco anglo-sueco. O regulador já emitiu um comunicado a dizer que a vacina não é a causa desses problemas.

No fim de semana a Agência Federal de Segurança Sanitária (BASG) austríaca decidiu, por precaução, retirar um lote da vacina da AstraZeneca. Sublinhando que não foi estabelecida uma relação causal entre o ocorrido e a vacina, preferem esperar por uma investigação completa.

A enfermeira, de 49 anos, morreu dez dias depois de ter tomado o fármaco por problemas de coagulação do sangue. A outra enfermeira, de 35, sofreu uma embolia pulmonar, também depois de ter sido vacinada, e está nos cuidados intensivos.

Perante esta ocorrência, a Agência Europeia do Medicamento (EMA, em inglês), emitiu na quarta-feira um comunicado, esclarecendo “não há atualmente qualquer indicação de que a vacinação tenha causado estas condições, que não estão listadas como efeitos secundários com esta vacina“.

As afirmações do regulador europeu não foram suficientes para acalmar outros países. Já a Estónia, Lituânia, Luxemburgo e Letónia seguiram o mesmo caminho. Esta quinta-feira também a Dinamarca anunciou que iria suspender a toma da vacina da AstraZeneca. As autoridades de saúde dinamarquesas indicam, segundo a AFP, que a medida surge “na sequência de relatos de casos graves de coágulos de sangue entre as pessoas vacinadas com a vacina Covid-19 da AstraZeneca” e de uma morte, ainda que “não tenha sido determinado, de momento, que exista uma ligação entre a vacina e os coágulos de sangue”.

Ainda esta quinta-feira a Noruega anunciou o mesmo que a vizinha Dinamarca. “Suspendemos a vacinação com a (vacina) AstraZeneca. Aguardamos por mais informações para perceber se há alguma ligação entre a vacina e o caso de formação de coágulos sanguíneos”, afirmou Geir Bukholm, dirigente do Instituto Nacional de Saúde Pública da Noruega.

Seguiu-se a Agência de Medicamentos Italiana (AIFA), que anunciou esta quinta-feira que suspendeu temporariamente a vacinação de um lote da farmacêutica AstraZeneca por precaução, após relatos de problemas de coagulação diagnosticados em vários países europeus. A AIFA explicou, em nota, que após informações sobre problemas de saúde detetados em outros países europeus, bloqueou a inoculação das doses do lote ABV2856.

Além disso, reserva-se o direito de tomar outras medidas, quando necessário, também em estreita coordenação com a EMA. A AIFA enfatizou que, até ao momento, “não foi estabelecido algum nexo causal entre a administração da vacina e esses eventos” detetados em outros países e que os controlos necessários estão a ser realizados, coletando-se a documentação clínica pertinente. As amostras deste lote serão analisadas pelo Instituto Nacional de Saúde Italiano.

Também a Islândia decidiu, esta quinta-feira, suspender o uso do fármaco anglo-sueco, avança a Reuters.

No comunicado da EMA é referido que o lote em causa foi “entregue a 17 países da UE” (Áustria, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Estónia, França, Grécia, Islândia, Irlanda, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos, Polónia, Espanha e Suécia) e “compreende um milhão de doses da vacina”. “Embora um defeito de qualidade seja considerado improvável nesta fase, a qualidade do lote está a ser investigada“, avança o regulador.

Na quinta-feira o regulador emitiu outro comunicado, onde sublinha que não há evidências da correlação de eventos, estado a investigação a decorrer, e que os restantes países europeus podem continuar a usar a vacina. Perante esta informação, o Infarmed, regulador português, divulgou uma nota onde indica que “os benefícios da utilização da vacina contra a Covid-19 da AstraZeneca mantêm-se superiores ao risco, não havendo qualquer alteração às recomendações sobre a sua utilização”.

(Notícia atualizada pela última vez às 17h14)

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