PME portuguesas ainda longe de serem verdes, AEP quer inverter tendência

O projeto EcoEconomy4.0 vai abranger 370 micro e PME e tem como objetivo reduzir o baixo conhecimento do tecido industrial em áreas críticas como a inovação e a competitividade sustentável.

As grandes empresas, sobretudo do setor industrial, são aquelas que mais investem no campo da sustentabilidade e têm vindo a implementar estratégias bem definidas neste sentido nos últimos anos. No extremo oposto estão as micro e as pequenas e médias empresas, que representam 99,9% das empresas em Portugal em 2020 mas ainda mais longe de serem verdes e têm um longo caminho a percorrer na questão da sustentabilidade.

Para inverter esta tendência a Associação Empresarial de Portugal (AEP) acaba de criar um novo projeto que irá precisamente mobilizar o tecido empresarial português, principalmente as PME, de forma a torná-lo não só mais sustentável mas também mais competitivo.

Intitulado EcoEconomy 4.0, este projeto tem como objetivo reduzir o baixo conhecimento das PME industriais – localizadas em regiões mais desfavorecidas – em áreas que constituem fatores críticos de inovação e competitividade sustentável, usando as tecnologias digitais da Indústria 4.0.

Na prática vai abranger 370 micro e PME do Norte, Centro e Alentejo, através dos seus eventos, e mais 800 empresas, através da informação publica que será publicada no site. O projeto envolveu um investimento superior a 700 mil euros.

Para o presidente da AEP, Luís Miguel Ribeiro, “o novo projeto será capaz de atrair mais empresas, e os impactos das atividades a desenvolver vão fazer-se sentir no tecido empresarial, tornando-o mais sustentável e competitivo”. Para o líder da associação, a economia circular, a eficiência energética e a descarbonização, “são indutores de muitas oportunidades ganhadoras para as empresas, como por exemplo, redução dos custos de algumas matérias-primas, pensar o modelo de negócio de forma regenerativa, a valorização pelos consumidores por produtos mais ecológicos e “amigos” do ambiente, os investidores investem mais em empresas sustentáveis”.

O responsável explica ao ECO/Capital Verde que as empresas “já perceberam que o futuro também reside na sustentabilidade e que esta não está dissociada dos fatores económicos. Por isso, estão recetivas a este projeto que vai aportar novas competências às PME nos domínios temáticos da circularidade e da descarbonização/ transição energética, incluindo uma abordagem às tecnologias da indústria 4.0″.

Questionado se as empresas têm conhecimentos dos critérios ambientais, sociais e de governance (ESG, na sigla original, em inglês) e se estão familiarizadas com estes termos, Luís Miguel Ribeiro adianta que o número de micro e PME que adotam estes princípios, criando relatórios, relatando e destacando as práticas a relatar nos seus programas de ESG, “é ainda reduzido”.

Para impulsionar o tecido industrial português a tornar-se mais verde, o novo projeto da AEP — EcoEconomy 4.0 — foca-se em dois domínios temáticos com impacto na pegada carbónica (emissão de carbono) e na produtividade dos materiais (relação entre o consumo de materiais na economia e o PIB): a Descarbonização/Transição Energética e a Economia Circular. O projeto irá apoiar o universo empresarial mais carente de intervenção, designadamente as PME.

O novo projeto EcoEconomy 4.0 será capaz de atrair mais empresas, e os impactos das atividades a desenvolver vão fazer-se sentir no tecido empresarial, tornando-o mais sustentável e competitivo.

Luís Miguel Ribeiro

Presidente da AEP

Tendo em conta que os planos nacionais de recuperação e resiliência vão dedicar pelo menos 37% dos gastos totais a investimentos e reformas que apoiem ​​os objetivos climáticos, a AEP considera que o EcoEconomy 4.0 “contribuirá ativamente para fazer chegar esta mensagem às PME portuguesas, garantindo uma transição justa e inclusiva, condição necessária para o sucesso. Com o EcoEconomy 4.0, a AEP pretende mobilizar a força motriz da economia portuguesa para potenciar o cumprimento das metas ambientais nacionais e europeias, mostrando às empresas a importância de adotarem comportamentos numa lógica de economia regenerativa”, lembra Luís Miguel Ribeiro.

O presidente da AEP não considera que as PME estejam perdidas neste campo da sustentabilidade e refere que já existem incentivos disponíveis (ainda no PT2020), com o Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) com o quadro financeiro plurianual 21-27 para a sensibilizar as PME nos fatores críticos de inovação e competitividade sustentável.

O projeto EcoEconomy 4.0 é cofinanciado pelo Programa Operacional Competitividade e Internacionalização, através do Portugal 2020 e do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

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