Criação de empresas cai 17% no primeiro trimestre

A criação de empresa registou uma quebra de 17% no primeiro trimestre do ano. Alojamento, restauração e serviços foram os setores mais penalizados ao nível da evolução dos nascimentos e insolvências.

A pandemia afetou brutalmente o tecido empresarial português. No primeiro trimestre de 2021, a criação líquida de empresas caiu 17%% face a 2020, devido a um recuo dos nascimentos superior ao dos encerramentos, em termos relativos e absolutos. Se a comparação for feita com 2019 — ou seja, no período pré-pandemia –, a queda é de 37,5%, associado ao primeiro confinamento em março do ano passado, revela esta quarta-feira a Associação Empresarial de Portugal (AEP).

Apesar de tudo, o rácio de nascimentos por encerramento melhorou no primeiro trimestre (para 3,5, incluindo 4,0 em março). Já o número de empresas com processos de insolvência caiu 1,9% face ao primeiro trimestre de 2020, mas aumentou 4,4% face aos primeiros três meses de 2019, incluindo uma subida de 22,4% em março.

Os setores do alojamento e restauração e serviços gerais foram dos mais penalizados na evolução dos nascimentos e processos de insolvência. O retalho é o setor que concentra a maior proporção dos encerramentos (14,3%) e dos processos de insolvência (18,1%), enquanto os serviços empresariais têm o maior peso nos nascimentos (15,8%).

De acordo com dados do Eurostat, até ao terceiro trimestre, Portugal teve dos piores desempenhos entre os países da União Europeia (UE) em 2020 , tanto no registo de novos negócios (sobretudo no 2º trimestre, com uma taxa de variação homóloga (tvh) de -48,2%, a queda mais alta) como nas declarações de insolvências (tvh de 40,3% no 3º trimestre, o segundo maior aumento), um cenário oposto ao registado em 2019.

Em apenas três trimestres de 2020 foi perdida a vantagem evolutiva desde 2015 face à UE face ao registo de novos negócios e declarações de insolvências. Segundo um estudo do Banco de Portugal, a dimensão média das empresas aumentou entre 2013 e 2018, refletindo sobretudo a expansão do número de trabalhadores das empresas incumbentes.

Em 2020 ocorreu uma forte deterioração do saldo da balança de bens e serviços, com a redução do défice nos bens — a refletir uma queda das importações superior à das exportações — a ser claramente insuficiente para contrariar a queda muito acentuada do excedente nos serviços, com grande contributo do turismo, muito afetado pela crise pandémica.

Face ao impacto da pandemia no tecido industrial português, as empresas vão ter um peso de cinco mil milhões de euros, ou seja, 30% do valor total do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR), a que se vai somar a possibilidade de acionar empréstimos no valor de 2,3 mil milhões de euros, de acordo com os dados avançados pelo ministro do planeamento, Nelson de Souza.

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