Adesão a restaurantes está a ser boa, mas fechar às 22h30 causa “apreensão”, diz chef Avillez

Novas regras na restauração têm um impacto importante, mas limite de fecho restringe a faturação, principalmente devido aos horários tardios dos jantares dos portugueses.

Com o avançar do desconfinamento, os restaurantes passaram a poder abrir portas durante mais tempo aos fins de semana, mas também a sentar mais pessoas às mesas. Se por um lado estas medidas são “importantes” e têm um “peso muito grande na faturação”, existe ainda preocupação com o limite das 22h30, nota o chef José Avillez ao ECO. Estas restrições limitam os jantares, sobretudo quando os clientes são maioritariamente portugueses, que fazem esta refeição mais tarde.

“Estou muito contente de estarmos a seguir para a quarta fase do desconfinamento”, começa por dizer o chef ao ECO, nomeadamente com a antecipação das medidas que permitiram abrir já no fim de semana passado, dando “mais uma oportunidade de se faturar”. No entanto, existe também “apreensão” à mistura, sobre “durante quanto tempo mais continua o limite das 22h30”.

Este limite horário é um problema numa altura em que se serve cerca de 95% de portugueses, “que jantam quase só a partir das 20h ou 20h30”, com as restrições horárias “a baixar 40% ou 50% a possibilidade de faturar ao jantar”. Isto já que os estrangeiros costumam “jantar pelas 19h, às vezes até às 18h30”, o que permitia aproveitar mais este horário.

É por isso que, principalmente quando ainda existem muitos limites ao turismo, é “muito importante que se abra até mais tarde”, até permitindo ter dois turnos de jantar, nota o chef. Não existe ainda horizonte de quando acabarão as restrições horárias, já que no plano de desconfinamento estava previsto que terminassem os limites nos restaurantes, mas tal acabou por não se verificar.

Para além disso, há ainda “restrições de pessoas na mesa, de afastamento entre mesas e ocupação total do restaurante”, recorda o chef. Ainda assim, o lado positivo das medidas pesa mais na perspetiva de José Avillez. “Os fins de semana são de facto muito importantes e têm peso muito grande na faturação”, nota, sinalizando que é uma “grande conquista, foi concretizado até uma semana antes, o que é ótimo”.

Depois de serem conhecidas as medidas, os telefones dos restaurantes do chef começaram logo a tocar com marcações para o fim de semana passado. Foram feitas “bastantes reservas nos vários restaurantes”, adiantou José Avillez, apontando que a antecipação das medidas acabou por coincidir com o dia da Mãe, o que se juntou às previsões do bom tempo.

A partir de 1 de maio, passou a ser possível os clientes permanecerem nos estabelecimentos até às 22h30, seja durante a semana ou aos fins de semana e feriados. É ainda permitida a presença de grupos de dez pessoas nas esplanadas, número que baixa para as seis se estiverem em espaços interiores, mas há regras como dispor as mesas de forma a garantir que as pessoas estão a dois metros umas das outras.

Adesão é boa, mas ainda longe dos tempos pré-pandemia

Depois de um segundo confinamento que apenas permitia aos restaurantes ter take-away ou serviço de entrega, lentamente a reabertura foi sendo possível. Os restaurantes do chef Avillez foram reabrindo e a adesão está a ser positiva, mas ainda longe dos níveis registados em 2019, antes de a pandemia atingir o país, que serão difíceis de atingir com as restrições.

Os espaços do grupo foram reabrindo à medida que o desconfinamento foi avançando, ficando no entanto fechados ao fim de semana até agora, já que até às 13h “é não abrir praticamente”, reitera o chef. Ainda assim, a adesão “está a ser boa”, as pessoas estão “com muita vontade de voltar, sentem segurança e estão contentes”.

"Adesão a restaurantes está a ser boa, mas tendo muito pouco turismo estamos muito longe ainda de números parecidos com 2019.”

José Avillez

No entanto, “tendo muito pouco turismo, estamos muito longe ainda de números parecidos com 2019”, admite José Avillez. A abertura aos fins de semana vai ajudar, nomeadamente numa altura em que as “pessoas são prudentes mas não têm o medo que existia na primeira fase”, nota, existindo cada vez mais procura pelos restaurantes.

Assim, principalmente nas principais cidades onde o negócio estava alavancado a turismo, “vai ser difícil chegar a número de vendas de 2019”. “Vai ser preciso acabar com as restrições de horário”, e depois com os afastamentos para ser possível sentar mais gente, uma medida que tem “impacto em espaços mais pequenos”. Tudo pesado, o chef Avillez está “relativamente otimista” quanto ao futuro, de olhos postos no levantamento das restrições finais nos restaurantes.

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