Banco de Portugal quer manter valor dos dividendos ao Estado em 2022

"Os resultados do Banco de Portugal não podem ser sempre mil milhões de euros", avisa o administrador Hélder Rosalino, que aponta para uma estabilização "positiva" dos lucros e dividendos.

O Banco de Portugal espera, no próximo ano, ter resultados líquidos em linha com os deste ano e manter a distribuição de dividendos ao Estado. Se se concretizar, o Governo poderá continuar a beneficiar de encaixes superiores a 400 milhões de euros para o Orçamento do Estado (OE), mas a médio prazo este montante pode ser reduzido.

“Tenderemos, nos próximos anos, a uma estabilização dos resultados do Banco de Portugal em torno dos valores de 2020. Tivemos de fechar o orçamento para enviar ao Ministério das Finanças e esperamos, em 2021, resultados próximos dos de 2020, com dividendos e impostos na mesma ordem“, explicou o administrador Hélder Rosalino, na apresentação do Relatório do Conselho de Administração 2020, divulgado esta quinta-feira.

Em 2020, o Banco de Portugal lucrou 535 milhões de euros (mais 31 milhões de euros do que o orçamentado) e entregou ao Estado 671 milhões de euros. A maior fatia diz respeito a dividendos — 428 milhões de euros — e os restantes 243 milhões a impostos.

A remuneração acionista entregue pelo Banco de Portugal ao Estado representa uma quebra face ao ano anterior (quando o supervisor entregou 607 milhões de euros), sendo que o máximo histórico se mantém em 2018. A quebra será tendência, segundo Hélder Rosalino, que sublinhou que “os resultados do Banco de Portugal não podem ser sempre mil milhões de euros“.

Apesar de tudo, o montante ficou, em 2020, acima do esperado pelo Governo, que inscreveu no Orçamento do Estado para 2021 uma projeção de receita de 374,5 milhões de euros. Também no ano anterior, o valor tinha ficado acima do esperado. O administrador considera que esta tendência “é positiva porque estamos a estabilizar os resultados”, mas avisa que, nas projeções a 10 anos, já que revela uma “ligeira redução” nos resultados e dividendos.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Banco de Portugal quer manter valor dos dividendos ao Estado em 2022

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião