Doença profissional: Trabalhar mais de 55 horas por semana agrava risco de morte

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  • 17 Maio 2021

Um estudo conjunto da OMS e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), conduzido antes da pandemia, revela agravamento de 35% no risco de AVC como consequência do excesso de horas de trabalho.

Trata-se da primeira análise global sobre a mortalidade e danos na saúde associados a longas horas de trabalho, realçando tratar-se do fator mais importante de doença profissional. O estudo, produzido pelas agências da ONU e publicado na revista Environment International, compila dados de dezenas de pesquisas com centenas de milhares de participantes em mais de 190 países.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) e a OIT estimam que, em 2016, mais de 745 mil pessoas morreram em consequência do excesso de horas de trabalho. Do total, 398 mil morreram por acidente vascular cerebral (AVC) e 347 mil de doenças cardíacas em resultado de, pelo menos, 55 horas por semana a trabalhar, aponta o estudo.

Comparando com pessoas que trabalham entre 35 e 40 horas semanais, as que suportam cargas de 55 horas ou mais por semana arriscam aumento de 35% no risco de acidente vascular cerebral (AVC) e de 17% no risco de morte por doença isquémica do coração.

O relatório das organizações internacionais salienta que 488 milhões de pessoas estiveram sujeitas a excesso de horas de trabalho (55 ou mais horas por semana), um universo que corresponde a 9% da população global. Entre 2000 e 2016, o número de óbitos por doenças cardíacas relacionadas com longas jornadas de trabalho aumentou em 42%, enquanto no caso de AVC progrediu 19%.

“Trabalhar 55 horas ou mais por semana representa um grave perigo para a saúde”, destaca María Neira, diretora de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da OMS. “É hora de todos nós – governos, empregadores e trabalhadores – finalmente reconhecermos que longas horas de trabalho podem causar mortes prematuras”, reforça a médica espanhola.

De acordo com o mesmo relatório, cujas conclusões resultam da modelação de informação extraída de 2 300 inquéritos e mais de 1 700 bases de dados, a maioria das mortes registadas refere-se a pessoas com idades entre 60 e 79 anos que trabalhavam 55 horas ou mais por semana quando tinham entre 45 e 74 anos.

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