O uso eficiente da água na agricultura é fundamental

  • ECO
  • 4 Junho 2021

A transição para uma agricultura mais tecnológica e sustentável exige apoio e demonstração num contexto de proximidade e não requer obrigatoriamente aumento de custos

Até 2040, Portugal poderá não ter água suficiente para fazer face às necessidades do país. Essa é já uma realidade para todos os agricultores que têm assistido ao aumento da temperatura e a secas cada vez mais severas e prolongadas. Já mais de metade dos agricultores portugueses, em particular no Alentejo e no Algarve, sentem que há menos água disponível e identificam a falta de água como uma das principais preocupações no futuro próximo.

Esta é uma das conclusões do estudo “O Uso da Água em Portugal”, encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian ao C-Lab (Consumer Intelligence Lab). O estudo (disponível em gulbenkian.pt), centra-se naquele que é o maior utilizador da água, o setor agrícola, e resultou de um trabalho exaustivo – envolveu conversas, visitas de campo e inquéritos a mais de 500 agricultores nacionais – a partir do qual foi elaborado um retrato dos desafios e das oportunidades, sentidas por quem está no terreno, no que se refere a um uso da água mais eficiente.

Filipa Saldanha, Subdiretora do Programa da Gulbenkian para o Desenvolvimento Sustentável, assegura que apesar dos desafios, o setor agrícola nacional tem dado passos importantes, em particular na forma como se cultiva em regadio. Os agricultores são, afinal, os principais interessados em encontrar soluções de eficiência e garantir a disponibilidade futura deste recurso fundamental.

De acordo com a investigação, existem vários perfis de agricultores, o que exige abordagens diferentes de mobilização. Num extremo, representando o maior segmento (38%), estão os agricultores que gerem a sua atividade ao ano, muito condicionados pelo resultado da sua produção. No outro extremo, estão aqueles (3%) que incluem cenários de futuro e sustentabilidade no planeamento da sua atividade.

A grande maioria de agricultores não utiliza contador de água, pelo que o esforço terá de começar por uma monitorização mais rigorosa do consumo. O maior desafio passará pela adoção de novas tecnologias no planeamento e controlo da rega (sondas, estações meteorológicas ou drones). E se a transição para uma agricultura de precisão está associada à inovação, ela só será feita se existir uma maior capacitação dos agricultores.

É fundamental dar a conhecer aos agricultores as tecnologias disponíveis, as suas vantagens e desvantagens, e a forma como podem ser utilizadas. Acelerar a transformação do setor implicará um esforço coletivo, com abordagens distintas e diferentes papéis por parte de quem quer colaborar com o setor neste desígnio.

Falar de uso eficiente de água com o segmento dos agricultores mais condicionados, por exemplo, implica destacar as poupanças financeiras no imediato, demonstrar a aplicação e o resultado das novas tecnologias e apoiar e acompanhar a mudança em proximidade. E de facto, apesar de serem ainda uma minoria, 85% dos agricultores que adotaram novas tecnologias na sua atividade garantem que além de pouparem uma elevada quantidade de água, também registam poupanças em fatores indiretos como a energia ou os fertilizantes. De um modo transversal a todos os perfis, será necessário partilhar casos de sucesso, a forma de usar novas tecnologias e demonstrar os resultados obtidos. E os agricultores com capacidade de planeamento têm um papel importante a desempenhar, enquanto exemplos de uma transição bem-sucedida e mentores daqueles que vivem condicionados

A Fundação Calouste Gulbenkian vai iniciar esse trabalho de proximidade, que passará por ações de demonstração no terreno, em colaboração com um ecossistema alargado de representantes do setor agrícola, incluindo agricultores mentores.

Empenhada na construção de uma sociedade mais coesa, em que a resposta às necessidades das gerações atuais não comprometa a capacidade de resposta às necessidades das gerações futuras, a Fundação Calouste Gulbenkian é um dos parceiros institucionais do WATER World Forum for Life, que acontece em Reguengos de Monsaraz de 3 a 6 de junho e, a 4 de junho, estará representada num painel sobre o valor da água no setor agroalimentar, a discutir o tema com representantes do setor.

 

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