Restauração pede alterações nos apoios para incluir setores mais afetados

  • Lusa
  • 11 Junho 2021

As zonas turísticas e os centros comerciais registam uma desaceleração muito lenta, alerta a PRO.VAR. E no Algarve há "um retrocesso".

A Associação PRO.VAR pediu esta sexta-feira no Algarve ao Governo mais apoios para o setor que incluam os estabelecimentos com mais de 40% de quebra na faturação, alterações nas taxas do IVA e a reestruturação das linhas de crédito Covid-19.

Numa sessão com empresários em Quarteira, Loulé, a entidade apresentou um inquérito que sustenta as suas reivindicações e que revela que a restauração está a recuperar a diferentes ritmos, com as zonas com maior relação com o turismo e a dos centros comerciais a serem as mais afetadas.

Após as 624 respostas obtidas em todo o país entre os dias 8 e 10 de junho, o estudo revela que 42,4% dos inquiridos têm exposição ao turismo estrangeiro e dois terços destes espaços de restauração tiveram, na primeira semana de junho quebras de faturação acima dos 50% face a 2019.

Já os restaurantes de rua, em zonas de baixa densidade, encontram-se também em dificuldade mas com menos incidência de insolvências e falências, onde um em cada quatro estabelecimentos se encontra nestas circunstâncias.

Existe uma parte do setor que está a recuperar e depois identificamos dois nichos, as zonas turísticas e os centros comerciais, que estão numa desaceleração muito lenta e no Algarve com a situação dos turistas ingleses terá havido até um retrocesso”, afirmou à Lusa o presidente da associação Daniel Serra.

No segmento das empresas em zonas turísticas, o número com quebras de faturação superiores a 50% face a 2019, era de 86,56% em janeiro, de 58,8% em maio e de 47,05% na primeira semana junho, com 67,34% empresas a revelarem níveis de endividamento muito elevado e 77,94% a dizerem que os apoios não cobrem sequer metade das despesas até à data.

Daniel Serra destacou que cerca de um terço das empresas (32,25 %), está em risco e a ponderar apresentar pedidos de insolvência ou em situação de falência. Ainda assim 65,15% das empresas revelaram estar a recuperar.

Nos 17,7% dos inquiridos que exercerem a sua atividade em centros comerciais, 85,18% reportaram quebras superiores a 50% em janeiro, 69,23% em maio e 61,5% na primeira semana de junho, com 89,9% das empresas a revelarem níveis de endividamento muito elevado e 86,6% a dizerem que os apoios não cobrem sequer metade das despesas até à data.

Dois em cada três estabelecimentos (66,2%) estão em risco e a ponderar apresentar pedidos de insolvência ou em situação de falência e apenas uma em cada quatro empresas (24,2%), está a recuperar.

No global, os valores são menos preocupantes com 35,4% a reportar quebras superiores a 50% em janeiro, 24,53% em maio e 19,56% na primeira semana de junho, com 73,83% das empresas com níveis de endividamento muito elevado e 82,3% a indicarem que os apoios não cobrem sequer metade das despesas até à data.

12,5 % das empresas apontaram estar em risco e a ponderar apresentar pedidos de insolvência ou estão em situação de falência. No entanto a recuperação do setor parece estar em curso e 63,55% dos inquiridos relatam estar a crescer na faturação.

A PRO.VAR – Promover e Inovar a Restauração Nacional, pede ao Governo que “reforce os apoios” para as empresas nestas condições, nomeadamente que se procure quem teve “uma quebra acima de 40%” face a 2019 o que irá “incluir os centros comerciais e as zonas turísticas de todo o país”.

A associação pediu, por um lado, que as rendas das empresas com quebras de 40% “continuem a ser apoiadas até dezembro” e por outro que, com o final dos apoios ao lay-off, o Governo garanta a sobrevivência do tecido empresarial “muito importante” do turismo e restauração.

Daniel Serra revelou também que a PRO.VAR sugeriu ao executivo que as empresas, através dos seus contabilistas certificados, possam enviar “a grandeza das despesas e o Governo calcular o apoio em função da sua necessidade específica”.

A associação reivindica também uma redução do IVA das comidas de “13% para 6%”, defendendo que é preciso “dar liquidez às empresas” e que, assim, a taxa ficaria “equiparada à dos hotéis” e mais próxima da praticada nos mercados concorrentes com o português.

A falta de mão-de-obra é outro dos problemas do setor, com o inquérito a revelar a necessidade de aumentar em “cerca de um quarto” os profissionais já que mais de dois terços (77,5%), dos restaurantes revelaram “querer recrutar profissionais, mas não conseguindo satisfazer as necessidades”, apontou.

O recém anunciado IVAucher também é alvo de críticas pela associação, que propõe também alterações, apresentadas “há um mês ao ministério da Finanças”, para que o consumo do vale aconteça “de segunda a quinta-feira”, provocando uma “alteração de hábitos no consumidor e uma mais valia para os restaurantes”.

Presentes na sessão, alguns empresários algarvios realçaram os atrasos nos apoios no Governo, revelando que alguns de 2020 só chegaram este ano, o que condiciona a disponibilidade financeira das empresas, algo que será incomportável se o verão de 2021 for semelhante ao do ano passado.

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