ASF: Seguros devem manter alerta máximo aos riscos económicos

  • ECO Seguros
  • 14 Julho 2021

Por um lado a incerteza macroeconómica pós-pandemia, por outro lado o retorno da sinistralidade aos níveis anteriores a 2020. A ASF indica que o ano no setor segurador exige muita atenção.

A ASF, entidade supervisora do setor segurador, divulgou esta quarta-feira o Painel de Riscos do Setor Segurador e mantém o alerta máximoquanto aos riscos macroeconómicos que podem afetar os operadores do setor: “Apesar da manutenção das expectativas de recuperação económica para o ano de 2021, prevalece um contexto de incerteza quanto à evolução da pandemia e consequente impacto na atividade económica, justificando-se assim, a preservação da avaliação dos riscos macroeconómicos no nível alto” justifica o Supervisor pela manutenção que se repete há um ano do riscos da economia no máximo da escala.

O painel de riscos do setor segurador português, de publicação trimestral, é uma das ferramentas utilizadas pela ASF para a identificação e mensuração dos riscos e vulnerabilidades do setor na perspetiva da preservação da estabilidade financeira, tendo por base um conjunto de indicadores, e considerando 8 categorias de risco: macroeconómico, crédito, mercado, liquidez, rendibilidade e solvabilidade, interligações, específicos de seguros vida e específicos de seguros não vida. Para cada categoria atribui um de 4 níveis de riscos: alto, médio-alto, médio-baixo e baixo.

ASF – Painel de Riscos Painel de Riscos do Setor Segurador – junho 2021

Neste momento a ASF considera médio-baixo o risco de crédito devido aos prémios de risco da dívida soberana e dos emitentes dos setores financeiro e não financeiro permanecerem em níveis contidos. No entanto coloca no radar riscos de uma eventual reavaliação em alta dos prémios de risco, reforçando as preocupações relativamente aos riscos de mercado, que coloca em nível médio-alto, “onde a manutenção da tendência ascendente dos preços acentua a perceção de desalinhamento com os fundamentais económicos”, afirma a ASF.

O Supervisor verificou uma ligeira redução do grau de liquidez dos ativos detidos pelo setor segurador nacional, essencialmente por via de redução das exposições a dívida pública e privada, por contrapartida de ativos menos líquidos. Notou igualmente que o rácio de entradas sobre saídas registou uma nova quebra, por efeito do ramo Vida, mas com uma evolução positiva no segmento Não Vida.

O panorama de riscos de rendibilidade e solvabilidade, classificado de nível médio baixo, permaneceu estável face ao final de 2020. A ASF destaca a manutenção do rácio global de solvência em níveis muito próximos aos observados no final do ano (192%), estabilização que surge após o período de volatilidade registado ao longo de 2020.

No ramo Vida, o Supervisor destaca o aumento da produção no primeiro trimestre do ano, evolução que contrariou a tendência negativa observada desde 2019, devendo-se este acréscimo ao aumento verificado nos seguros de Vida ligados a fundos de investimento enquanto os resgates tiveram uma quebra de cerca de 30%. No entanto, a ASF notou que os aumentos de vencimentos e outros custos superou, em larga medida esta quebra, resultando num incremento de 32,1% do montante total de custos com sinistros do ramo Vida. Chama ainda a atenção para o facto de os produtos de Vida risco, cuja taxa de sinistralidade registou um aumento de 8,5 pontos percentuais face ao final de 2020, para 43,5%.

No que respeita aos ramos Não Vida, a produção total cresceu face ao trimestre anterior, essencialmente por intermédio de aumentos nos ramos Doença e Incêndio e Outros Danos, capazes de ultrapassar a queda observada em Automóvel. Ao nível da sinistralidade, a ASF destaca-se a descida registada no segmento Automóvel, mas espera que a normalização progressiva da situação de emergência pandémica e a evolução do processo de desconfinamento venham a reposição dos níveis de sinistralidade observados no período pré-pandemia, o que, face à incerteza persistente, justifica a manutenção desta categoria de riscos em médio-alto.

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