Seguros no 1º semestre: Vendas ao nível pré-covid, lucros aumentam 58%

  • ECO Seguros
  • 18 Agosto 2021

Com o sucesso dos PPR ligados a fundos de investimento a mais que triplicarem produção, no 1º semestre o setor cresceu 35,6% face a 2020. Resultados líquidos atingem 315 milhões de euros.

A venda de seguros em Portugal atingiu 6,36 mil milhões de euros no primeiro semestre do ano, um crescimento de 35,6% face a igual período de 2020, aproximando-se do nível registado no primeiro semestre de 2019. A recuperação deveu-se essencialmente a um crescimento de 83% no ramo Vida enquanto os ramos Não Vida subiram vendas em 3,1%, revela o Relatório de Evolução da Atividade Seguradora, relativo ao 1º semestre deste ano, agora divulgado pela ASF, a entidade reguladora do setor. No mesmo período, os resultados líquidos de todas as seguradoras atingiram 315 milhões de euros, mais 58% que em 2020.

A subida da produção do Ramo Vida esteve ligada ao sucesso dos produtos Vida Ligados a Fundos de Investimento, com componente risco, cujas vendas mais que triplicaram para 2,12 mil milhões de euros no semestre e se tornaram responsáveis por 60% das vendas totais de produtos de vida quando, um ano antes, significavam apenas 33%.

Nos ramos Não Vida o mercado ultrapassou 2 873 milhões de euros, mais 87 milhões que em igual período do ano anterior, destacando-se o crescimento de 8,3% no ramo Saúde, O ramo Incêndio e Outros Danos, que inclui os seguros multirriscos, assim como Acidentes de Trabalho apresentaram igualmente acréscimos, de 3,6% e 3,9% respetivamente.

Sinistralidade também aumenta

Os custos com sinistros de seguro direto apresentaram um acréscimo significativo para 4,4 mil milhões de euros, mais 31,7% face ao semestre homólogo do ano anterior. No ramo Vida, os custos com sinistros aumentaram 46,1% e, nos ramos Não Vida, o crescimento foi de 4,6%.

No ramo Vida esta evolução é explicada pela saída de contratos por vencimento, os terminados no seu período previsto, cujo peso no total de sinistros foi de cerca de 59%. Os resgates, aqueles com vencimento antecipado em relação ao previsto, apresentaram uma diminuição de 2,5% face a junho de 2020, tendo representado 31,3% dos custos com sinistros do período em análise.

Os custos com sinistros de seguro direto nos ramos Não Vida apresentaram um crescimento de 4,6% face a junho de 2020. O ramo Saúde foi o que mais contribuiu para este aumento, com um crescimento de 16,1%, mas também o ramo Automóvel e Acidentes de Trabalho apresentaram acréscimos de 2,7% e 3,3% respetivamente, ao contrário do ramo Incêndio e Outros Danos cujos custos com sinistros diminuíram 6,7% no período em análise.

Nos principais ramos do segmento Não Vida, em Acidentes de Trabalho a taxa sinistralidade (custos com sinistros/Prémios) manteve-se em 69% abaixo dos 78,6% registados em 2019, enquanto em seguros de saúde foram a taxa subiu de 60,85 no primeiro semestre de 2020 para 65,2% em igual período deste ano.

Ainda nos primeiros seis meses de 2021, o ramo Automóvel apresentou um ligeiro decréscimo de 0,8% nos prémios brutos emitidos de seguro direto face ao período homólogo de 2020. O rácio “Custos com Sinistros / Prémios Brutos Emitidos” do mesmo período cresceu, situando-se em 64,2%, face a 62% no ano passado e 71,5% em 2019.

Investimentos das Seguradoras continuam acima dos 51 mil milhões de euros

O valor total dos ativos investidos pelas companhias de seguros diminuiu 0,4% no primeiro semestre face a 2020, para 51,25 mil milhões de euros. Esta evolução resultou essencialmente do decréscimo do investimento em obrigações de dívida pública e privada e no acréscimo da aposta em fundos de investimento, numerário e depósitos.

Esta alteração foi bem visível nos investimentos relacionados com seguros PPR em que as seguradoras reduziram cerca de 700 milhões de euros a carteira de dívida pública reforçando a carteira de ações e de fundos de investimento que em 2020 significavam 11% dos investimentos enquanto no primeiro semestre deste ano representam 13%.

Lucros e Solidez financeira do setor foram reforçados

Segundo a ASF, no final do primeiro semestre de 2021, os resultados líquidos das empresas de seguros sob a sua supervisão prudencial foram de cerca de 315 milhões de euros (das 38 empresas de seguros, 36 apresentaram valores positivos). No final do primeiro semestre de 2020, os resultados líquidos das empresas de seguros sob supervisão prudencial da ASF tinham sido de cerca de 199 milhões de euros (das 40 empresas de seguros então supervisionadas, 36 tinham apresentado valores positivos).

O rácio de cobertura do Requisito de Capital de Solvência (SCR), medida do montante de fundos próprios necessários para a absorção das perdas resultantes de um evento de elevada adversidade, do conjunto das empresas sob supervisão prudencial da ASF foi de 211%, em junho deste ano o que representa um aumento de 18 pontos percentuais face ao final de 2020.

No período em referência, a cobertura do Requisito de Capital Mínimo (MCR), nível mínimo de fundos próprios abaixo do qual se considera que os tomadores de seguros, segurados e beneficiários ficam expostos a um grau de risco inaceitável, das seguradoras registou um incremento de 54 pontos percentuais, situando-se em 591%.

Para ambos os rácios de solvabilidade o nível mínimo exigido pela Supervisão de seguros é 100%, pelo que as seguradoras em Portugal estão 2,1 mais capitalizadas que este limite no caso do SCR e quase 6 vezes mais no MCR.

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