CDS diz que englobamento obrigatório vai ser “machadada no mercado” de arrendamento

  • Lusa
  • 21 Setembro 2021

"Esta proposta é uma machadada no arrendamento habitacional em Portugal e uma bomba-relógio para as famílias porque vai agravar fiscalmente as rendas dos proprietários", afirma o líder centrista.

O presidente do CDS-PP considerou esta terça-feira que o englobamento obrigatório no IRS vai ser uma “machadada no mercado” de arrendamento e acusou a esquerda de ter um “apetite voraz” pelo dinheiro dos contribuintes.

O jornal ECO noticiou que, no âmbito do Orçamento do Estado para o próximo ano, o Governo está a negociar com os partidos à esquerda o englobamento obrigatório de rendimentos no IRS, o que poderá significar um agravamento fiscal para muitos proprietários.

“Esta proposta é uma machadada no arrendamento habitacional em Portugal e uma bomba-relógio para as famílias porque vai agravar fiscalmente as rendas dos proprietários, porque vai fazer com que os proprietários aumentem o valor das rendas pela subida do imposto e vai retirar habitação do mercado habitacional”, afirmou Francisco Rodrigues dos Santos.

O líder do CDS fala aos jornalistas à margem de uma arruada em Vale de Cambra, distrito de Aveiro, no âmbito da campanha oficial para as eleições autárquicas de domingo.

Rodrigues dos Santos antecipou que os proprietários “vão naturalmente aumentar o valor das rendas pela subida do imposto, e muitos deles até nem sequer vão colocar a sua casa no mercado de arrendamento”, temendo também que “o arrendamento informal aumente porque o formal não é compensatório nem para os proprietários nem para os inquilinos”.

“Em Portugal o arrendamento e a habitação já é altamente tributado, o que nós precisamos é de aliviar os impostos para aumentar a oferta, diminuir o valor das rendas e incentivar os proprietários a colocar habitação no mercado habitacional”, defendeu.

Apontando que “60% do valor das rendas são impostos”, o centrista criticou que “é um assalto à carteira dos portugueses para entregar ao Estado” e lamentou também que “apenas um terço do arrendamento em Portugal é feito a preços acessíveis”.

Falando numa “ditadura fiscal sobre o arrendamento”, Francisco Rodrigues dos Santos disse que esta proposta, a confirmar-se, é “um crime que a extrema-esquerda está a fazer pelo seu apetite voraz que tem pelo dinheiro dos contribuintes, pelo assalto, pelo esbulho”.

“É sobrecarregar ainda com mais impostos um arrendamento que já é altamente tributado em Portugal”, acrescentou.

Apontando que “quem tem baixos rendimentos, nomeadamente os jovens em início de vida que querem ter acesso à habitação a preços acessíveis, vão ficar excluídos dessa oportunidade de ter a sua habitação ou vão ter de pagar rendas muito mais elevadas”, Rodrigues dos Santos frisou que “é esta a consequência desta golpada que o PS e a extrema-esquerda estão a fazer em Portugal ao nível do arrendamento”.

Na ocasião, o presidente do CDS-PP foi também instado a comentar as palavras do secretário-geral do PS que disse que no que toca a políticas de habitação “o PSD e o CDS tiveram a ilusão de que, com a lei Cristas, o mercado produziria o milagre de garantir habitação acessível a todas e a todos”.

“Bom, ficou provado, para quem tivesse dúvidas, que o mercado não só não tem nenhuma mão invisível, tem uma mão bem visível: é a mão da especulação e da exclusão ao direito a habitação de muitas e muitas famílias”, salientou António Costa.

Em resposta, Francisco Rodrigues dos Santos indicou que “a mão invisível que o mercado da habitação tem em Portugal chama-se Estado e chamam-se impostos, chama-se IMI, IMT, IVA”.

“Essa é que é a grande especulação, especulação do esbulho e do assalto à carteira dos portugueses que o Estado faz através dos impostos que pratica no mercado da habitação”, frisou.

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