Líder do PAN tentou convencer eleitores a não votarem “mais do mesmo”

  • Lusa
  • 23 Setembro 2021

Há quatro anos, o PAN conseguiu representação em mais de duas dezenas de concelhos, tendo conseguido eleger 27 deputados municipais e seis em assembleias de freguesia.

Entre críticas a António Costa pelo uso da ‘bazuca’ europeia como “bandeira eleitoral”, a campanha autárquica do PAN procurou convencer os eleitores a não votar “mais do mesmo”, insistindo nas causas ambientais, da proteção social e animal.

Inês Sousa Real estreou-se na volta autárquica como porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza – depois de ter sido eleita pelo partido em junho – e arrancou a ‘caravana’ na capital do país, onde confessou estar com “boas perspetivas” de conquistar pela primeira vez vereadores em concelhos como Aveiro, Cascais, Porto, Lisboa e Almada.

Com o ‘pontapé’ de saída dado, o grosso da campanha do PAN consistiu em ações junto da população ou visitas a instituições ou associações ligadas a causas ambientais e aos direitos dos animais mas também sociais, humanitárias ou de saúde.

Um dos momentos mais tensos do percurso da líder do PAN foi no Montijo, em Setúbal, concelho com tradição taurina, onde Inês Sousa Real foi recebida com assobios por dezenas de aficionados, mas a porta-voz reafirmou a convicção de que o bem-estar animal é incompatível com a continuidade das touradas.

Houve também espaço para jantares de campanha e ações como limpezas de praia, visitas a canis municipais ou passeios de barco pelo rio Tejo – a faltar ficou mesmo só o ‘surf’, com a escassez de ondas a obrigar a uma mudança de planos.

A mobilidade suave como preocupação ambiental foi um dos temas da campanha, sobre o qual Inês Sousa Real chegou a sugerir, nas arribas do Caminho da Aguda, a criação de uma ciclovia que ligue Sintra a Lisboa e seja “uma alternativa” à frequentemente congestionada via rápida IC19.

Apelando a que os autarcas pensem em “alternativas que permitam conjugar as diferentes formas de mobilidade”, Inês Sousa Real lembrou que haverá financiamento para tal no quadro do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e comprometeu-se a apresentar “soluções para que o PRR seja bem aproveitado em prol das necessidades da população e do combate a alterações climáticas”.

O PRR foi entrando aos poucos na campanha do PAN e em Oeiras, a 17 de setembro, Inês Sousa Real deixa o primeiro alerta: este plano não pode ser “arma política para capturar ou ganhar autarquias”, recomendando ao Governo que mantenha “cuidado e equidistância” em relação àquele instrumento durante a campanha eleitoral.

Quanto às declarações de António Costa sobre a Galp, que prometeu uma “lição exemplar” à empresa, outro dos temas ‘quentes’ da campanha, Inês Sousa Real apontou que o encerramento da refinaria em Matosinhos deve salvaguardar as questões laborais e ambientais.

Em Santarém, Inês Sousa Real deixou o repto de que “votar útil não é votar mais do mesmo”, lamentando discursos populistas que não contribuem para “combater a grave crise socioeconómica que o país está a atravessar”.

Entre as preocupações demonstradas pela líder estiveram também temas como a erradicação de habitações precárias para “combater estigmas”, o acolhimento dos refugiados, a criação de mais espaços verdes, a saúde materna ou até o desmantelamento de centros de vacinação contra a Covid-19, algo que considerou “imprudente”.

Há quatro anos, o PAN conseguiu representação em mais de duas dezenas de concelhos, tendo conseguido eleger 27 deputados municipais e seis em assembleias de freguesia.

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