Fectrans diz que escassez de camionistas em Portugal está identificada “há alguns anos”

  • Lusa
  • 29 Setembro 2021

O presidente da Fectrans apontou problemas como os salários praticados em Portugal, os elevados custos de formação de camionistas e o preço da carta de condução, que pode chegar aos 6.000 euros.

O presidente da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans) disse à Lusa que a escassez de camionistas, que está a causar problemas de abastecimento de combustível no Reino Unido, é uma questão identificada “há alguns anos” em Portugal.

“É uma questão que está identificada já há alguns anos […]. Os patrões já naquele período de 2018, 2019, quando negociámos a nova convenção coletiva, uma das coisas que a associação patronal muitas vezes referia era a dificuldade de recrutar trabalhadores”, apontou José Manuel Oliveira.

Para o dirigente sindical, um dos problemas “era o tipo de salários que eram praticados em Portugal”.

José Manuel Oliveira apontou ainda os elevados custos de formação de camionistas, bem como o preço da carta de condução, que pode chegar aos 6.000 euros.

Quanto à situação no Reino Unido, o presidente da Fectrans diz não ter noção se há muitos camionistas portugueses a trabalhar naquele país e que possam agora vir a ter problemas, mas adiantou que a federação de sindicatos está “a acompanhar” a questão.

O Governo britânico colocou, na segunda-feira, dezenas de militares de prontidão para prestar auxílio, no sentido de resolver os problemas de abastecimento de combustível provocados pela falta de camionistas, uma situação que gerou pânico na aquisição de gasolina em todo o país.

A escassez de combustível no Reino Unido deve-se ao abastecimento desencadeado pelo “pânico”, afirmou o presidente da Associação de Postos de Gasolina (PRA) britânica, tendo o Governo recorrido ao Exército para ajudar.

A PRA tinha alertado no domingo para que cerca de dois terços dos quase 5.500 pontos de venda independentes filiados estavam sem combustível e que os restantes estavam “parcialmente secos ou prestes a esgotar”.

A corrida ao abastecimento acelerou nos últimos dias, depois de várias petrolíferas terem anunciado o encerramento de alguns postos devido à dificuldade em abastecê-los, problema que atribuíram à falta de camionistas para conduzir os tanques desde as refinarias.

Numa declaração conjunta, empresas do setor, como a Shell, ExxonMobil e Greenergy, vincaram que as dificuldades no abastecimento estão a ser causadas por “picos temporários na procura do cliente – não uma escassez nacional de combustível”.

Nos últimos dias, o Governo tem apelado à calma e à consciência dos automobilistas para que comprem apenas a gasolina ou gasóleo de que precisem, mas no fim de semana foi forçado a tomar medidas, anunciando 5.000 vistos para camionistas estrangeiros.

No pacote de várias medidas incluem-se também a suspensão das regras da concorrência, para que as petrolíferas possam partilhar recursos no abastecimento de postos com maior necessidade, o envio de cartas a urgir camionistas para voltarem à profissão e o envolvimento de militares para acelerar a realização de exames de condução de veículos pesados.

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