ASF mantém setor segurador sob Riscos macroeconómicos em “nível Alto”

  • ECO Seguros
  • 3 Outubro 2021

Conjugando variáveis financeiras a 15 setembro, com dados das seguradoras a 30 junho, a Supervisão refere que os efeitos da pandemia e a reversão das medidas de apoio à economia justificam o alerta.

A Supervisão atualizou a ferramenta de avaliação dos riscos e vulnerabilidades que podem afetar a estabilidade financeira do setor segurador. Na edição de setembro do Painel de Riscos do Setor Segurador, a ASF considera que, no contexto macroeconómico, a melhoria da crise sanitária tem permitido a recuperação da atividade económica a nível doméstico e internacional, perspetivando-se a manutenção desta tendência de recuperação.

Não obstante, “persiste um clima de forte incerteza associada às consequências da pandemia, nomeadamente sobre a capacidade dos agentes económicos de suportar a gradual reversão das medidas de apoio, o que justifica a conservação da avaliação dos riscos macroeconómicos em nível alto,” explica a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões.

O Painel de Riscos do setor segurador português, de publicação trimestral, é uma das ferramentas utilizadas pela ASF para a identificação e mensuração dos riscos e vulnerabilidades do setor na perspetiva da preservação da estabilidade financeira. Tendo por base um conjunto de indicadores, considera seis categorias de risco.

Avaliação dos Riscos

Fonte: “Painel de Riscos do Setor Segurador” – ASF, setembro 2021.

Na avaliação detalhada por classe de risco e quanto aos macroeconómicos – que em setembro se mantém em “nível Alto e tendência Constante” –, a ASF recorda o comportamento e evolução de alguns indicadores: pib do segundo trimestre em Portugal e na zona euro a recuperar a dois dígitos; evolução descendente da taxa de desemprego; dívida pública a roçar 134% em percentagem do pib; taxa de inflação em alta; ligeira subida, no início de setembro, das taxas de juro (operações de swap a 10 anos).

Relativamente aos riscos de crédito e de mercado, mantêm-se as preocupações quanto à “eventual revisão em alta dos prémios de risco implícitos nos títulos de dívida e à reversão abrupta dos preços nos mercados acionistas”, dada a perceção de desalinhamento entre a cotação dos ativos financeiros e os seus fundamentais económico-financeiros. Deste modo, ambas as categorias mantêm a sua avaliação como “médio-baixo e médio-alto, respetivamente”.

Em matéria de liquidez, destaca-se o ligeiro aumento do rácio de entradas sobre saídas, fixando-se em 94%, traduzindo uma recuperação de 12 p.p. para 68,2% no rácio apurado para as empresas de seguros a operar ramo Vida, enquanto o conjunto de operadores não-Vida manteve o rácio praticamente estabilizado nos 178%. Não obstante, observa o relatório, tendo sido impulsionado pela evolução do ramo Vida, o aumento do rácio “verifica-se após seis trimestres de decréscimos consecutivos, justificando-se assim a manutenção do nível de avaliação desta categoria de riscos em médio-baixo”.

Os restantes riscos, designadamente os riscos de interligações e de rendibilidade e solvabilidade, “mantêm as respetivas avaliações nos níveis médio-alto e médio-baixo, respetivamente, com tendência constante”.

Segundo detalha o relatório da Supervisão, “a solvabilidade do setor segurador nacional evoluiu favoravelmente no segundo trimestre de 2021, com o rácio global de solvência a registar um valor de 211%, mais 19 pontos percentuais que no trimestre anterior.

O nível de rendibilidade movimentou-se no mesmo sentido, com melhorias dos resultados técnicos tanto no ramo Vida – com o aumento homólogo de 136,2% a ser muito influenciado por duas empresas de grande dimensão –, como nos ramos Não Vida – com um incremento de 8,7% face o semestre homólogo. “Estas evoluções contribuíram para um aumento homólogo do resultado líquido global do setor segurador nacional em 58,5%,” recorda.

Na categoria de riscos específicos de seguros Vida, destaca-se o aumento abrupto da produção, que reflete o crescimento nos seguros de vida ligados, em resultado da reorientação da estratégia de negócio por parte de alguns operadores de relevo, evidenciando uma clara aposta neste tipo de produtos. Paralelamente, “persistem vulnerabilidades decorrentes do ambiente de baixas taxas de juro, que condicionam a atratividade da rendibilidade oferecida nos novos produtos”.

Nos riscos específicos de ramos Não Vida, a normalização progressiva da situação pandémica, assim como a incerteza sobre a recuperação económica e social no pós-pandemia, suscitam preocupações quanto à sustentabilidade da produção face a eventuais aumentos da sinistralidade. Assim, “justifica-se a manutenção de ambas as categorias de riscos em médio-alto,” lê-se no relatório.

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