Seguradoras de crédito preveem aumento de falências empresariais em 2022

  • ECO Seguros
  • 10 Outubro 2021

Os casos de insolvência vão aumentar em 2022, prevendo-se que mais de 2 500 empresas fracassem em Portugal. No cenário mundial, Euler Hermes projeta 15% e CyC aponta 33% mais falências empresariais.

Após dois anos de declínio em falências empresariais, as seguradoras de crédito apontam para inflexão e número crescente dos casos de insolvência em 2022. O Global Insolvency Index da Euler Hermes-Allianz Research caiu perto de 12% em 2020, face ao ano anterior, com 35 dos 44 países que compõem a amostra da pesquisa (80% do total) a registarem declínio no fenómeno de defaults empresariais.

Na Europa Ocidental, onde a quebra no número de falências atingiu 18%, o índice regional desceu ao nível mais baixo desde 2007 e países como Bélgica, França, Itália e Áustria registaram variações negativas acima de 30% face às insolvências contabilizadas em 2019. No contexto da pandemia, medidas públicas (apoio financeiro, moratórias fiscais), encerramento de tribunais e outras iniciativas permitiram evitar o fecho de muitas empresas. Mas, na perspetiva do estudo, isso apenas adiou o fim de muitos negócios.

Em Portugal, onde a economia registou tombo próximo de 8% (variação do pib em 2020 face a 2019), as insolvências decresceram menos de 5%.

Já este ano, estimando quebra global de 12% no 1º semestre, a pesquisa da seguradora alemã admite que a generalidade dos países mantenha tendência descendente. Considerando dados até final de agosto, alguns países da Europa já sinalizam reversão em alta, como são os casos de Espanha (principal parceiro externo de Portugal), Itália e Luxemburgo, refere o relatório “Insolvencies: We’ ll be back”, divulgado pela Euler Hermes.

Por setores de atividade, o documento regista evolução diferente do habitual. Na Europa, os serviços mantêm-se o setor que mais contribui para o número de insolvências (73%), à frente da construção (16%) e da indústria transformadora (10%).

Perspetivando 2022, relatório da seguradora acionista da portuguesa Cosec estima que o fenómeno se mantenha globalmente 4% abaixo do nível pré pandemia. No entanto, após recuar dois dígitos em 2020 e cerca de 6% em 2021, o Global Insolvency Index aponta variação positiva de 15% em 2022, assumindo que os setores mais impactados pelas restrições da Covid-19 sejam os que apresentarão mais casos.

Para Portugal, o estudo prevê 2 510 casos de insolvência, em Espanha 5 740, Itália 12 000 e mais de 20 500 casos de default no Reino Unido.

Considerando que os 15% avançados pela Euler já constitui alerta para a onda que se eleva no horizonte global, a vaga de 33% antecipada pela CyC poderia equiparar-se à força de um tsunami nos defaults empresariais esperados.

CyC antevê incremento de 14% nas falências em Portugal

Num cenário em que os spreads da dívida continuam a aliviar (o prémio de risco da dívida portuguesa a 10 anos fixou abaixo do da dívida de Espanha e de Itália no final de setembro), a Crédito y Caución (CyC), entidade que assume mais de 40% de quota nos seguros de crédito em Espanha, corrobora existência de sinais de aumento de insolvências na Europa. Com a progressiva normalização da atividade (fim dos estímulos económicos e fiscais), 2022 marcará o fim de muitas empresas zombies.

Depois de, em 2020, se ter verificado decréscimo de 14% no número de falências a nível global, a CyC aponta para Portugal uma redução de 12,1% em setembro face a igual período de 2020, decrescendo de 612 para 538. Contudo, até ao final dos primeiros nove meses deste ano, “o acumulado ascendia a 3.717 ações de insolvência, mais 150 que em 2020, o que traduz aumento de 4,2%” em Portugal.

De janeiro a setembro foi declarada a insolvência (encerramento de processos) de 2.181 empresas, mais 164 que no mesmo período do ano passado, quantifica a CyC. Os distritos Porto e Lisboa “são os que apresentam valores mais elevados, com 946 e 854 insolvências respetivamente”. Face a 2020, verifica-se um aumento de 17,6% em Lisboa e de 3,7% no Porto.

No conjunto do país, nove distritos indicam diminuição de casos, enquanto as insolvências afetam sobretudo “os setores da Eletricidade, Gás, Água (+85,7%), Indústria Extrativa (+50%), Hotelaria e Restauração (+38,9%), Agricultura, Caça e Pesca (+19,3%), Construção e Obras Públicas (+12,8%).”

Para compensar as insolvências, que desceram 12% em setembro (em variação homóloga), a constituição de empresas está a crescer perto de 9% no acumulado de 2021, com um “total de 30.604 novas empresas, mais 2.427 que em 2020 (+8,6%), mas significativamente menos que em 2019 (menos 7.475 empresas, o que traduz um decréscimo de 19,6%)”.

No panorama mundial, a CyC espera que as insolvências cresçam 33% em 2022. A companhia do universo Catalana Occidente corrobora a ideia de que, nos quatro trimestres subsequentes ao fim dos estímulos, o fenómeno insolvências crescerá acima de 30% em Itália, Reino Unido e Austrália, 26% em Espanha, 23% em França e 14% em Portugal.

Mercados como Brasil, Irlanda e Coreia do Sul, por exemplo, registarão número de casos inferior ao verificado antes da pandemia, indica a CyC-Atradius.

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