Governo disponível para aliviar impacto da subida do gasóleo nos transportes, diz Matos Fernandes

Ministro do Ambiente diz ao ECO que o Governo está disposto a apoiar setores mais atingidos pela subida dos combustíveis como o transporte de mercadorias e o transporte coletivo de passageiros.

O ministro do Ambiente diz em entrevista ao ECO que o Governo reconhece as dificuldades dos setores mais atingidos pela subida dos combustíveis e está disponível para tomar medidas que aliviem o impacto. As reuniões com as associações de transportes de mercadorias e de passageiros decorrem já esta semana.

“Estou certamente preocupado com isso e relativamente a alguns setores específicos da mobilidade estão a começar agora as conversas. O meu colega Pedro Nuno Santos tem já hoje [terça-feira, dia 19] os transportes de mercadorias e nós ainda esta semana reuniremos com a ANTROP [Associação Nacional de Transportadores Rodoviários de Pesados de Passageiros]”, afirma o ministro do Ambiente e da Ação Climática.

Questionado sobre o que o Governo está disponível para fazer, Matos Fernandes respondeu que prefere esperar pela reunião com a ANTROP antes de fazer o anúncio de qualquer medida. “Mas é óbvio que se estamos a ter estas reuniões setoriais é porque reconhecemos que há setores mais afetados do que outros. Não pode ser posto em causa aquilo que é, por exemplo, a utilização do transporte coletivo”, acrescentou o governante.

E saiu em defesa do apoio a este setor: “A utilização do transporte coletivo, mesmo quando movido a diesel, tem sempre vantagens ambientais, porque estamos a falar de transportar muito mais pessoas por quilómetro do que num carro individual”. Matos Fernandes quer também garantir que o esforço orçamental feito com o Programa de Apoio à Redução Tarifária nos Transportes Públicos (PART) não foi em vão.

Nós não fizemos o esforço do PART para termos os transportes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que conheço melhor, com um grau de utilização de 60%. É desolador.

João Pedro Matos Fernandes

Ministro do Ambiente e da Ação Climática

“Nós não fizemos o esforço do PART para termos os transportes das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, que conheço melhor, com um grau de utilização de 60%. É desolador”, disse o ministro. “Eu percebo que as pessoas em função da Covid tenham ainda este receio e não arrisco dizer em quanto tempo é que acho que o receio passa. O início do ano letivo trouxe mais pessoas aos transportes coletivos, mas estamos significativamente abaixo daquilo que era a procura, até antes do PART”, acrescentou.

As associações de transportes têm manifestado vocalmente o seu descontentamento pelo impacto da subida do preço dos combustíveis. Luís Cabaço Martins, presidente da ANTROP, já veio admitir a possibilidade de as empresas terem de aumentar o preço dos bilhetes, um cenário que Matos Fernandes quer evitar. Uma das medidas que defendem é o acesso ao gasóleo profissional, que permite um desconto até 18 cêntimos por litro, atualmente só disponível para as empresas de transporte de mercadorias.

Também a ANTRAM tem vindo a contestar o preço do gasóleo e elevada carga fiscal que sobre ele incide. Em declarações à agência LUSA, a associação que representa os transportadores rodoviários de mercadorias considerou no sábado que a descida do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP), anunciado na passada sexta-feira, terá um “impacto muito reduzido” e lembra que as empresas “estão no seu limite”, antevendo insolvências “a breve trecho”. “Mais de 60 cêntimos em impostos em cada um euro de combustível é um exagero”, afirmou o porta-voz, André Matias de Almeida.

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