O que é a Economia da Longevidade?

  • ECO
  • 25 Outubro 2021

Ana João Sepúlveda, Managing Partner da 40+ Lab, explica os conceitos de Economia da Longevidade e de Silver Economy.

A bandeira da Economia da Longevidade é a minha bandeira faz já muito tempo. Assim, quero com este artigo dar início a um conjunto de reflexões sobre o tema e a sua importância para o nosso país.

Mas vamos começar pelo princípio, porque assim as coisas ficam mais bonitinhas: o que significa o termo “Economia da Longevidade” e porque utilizo esse termo e não outro, utilizado na Europa (Silver Economy)?

"A longevidade constitui uma vantagem para a humanidade sem precedente.”

As melhorias das condições de vida tiveram como fruto o surgimento de um fenómeno demográfico que afeta todo o globo – o aumento da esperança média de vida. O resultado desse aumento da esperança média de vida é conhecido como “envelhecimento da população”. Isto quer dizer que atualmente vivemos mais, temos mais longevidade.

O impacto massivo desta longevidade verifica-se a todos os níveis e um deles é na economia dos países. As empresas, grandes e pequenas, têm um papel fundamental a desempenhar, porque são um dos veículos de conversão das sociedades em sociedades inclusivas e sustentadas. A longevidade constitui uma vantagem para a humanidade sem precedente.

Ana João Sepúlveda, Managing Partner da 40+ Lab.

Da mesma forma como as alterações climáticas alteram a realidade das pessoas, das empresas e das sociedades, neste século XXI, também o envelhecimento da população está a ter um impacto com enormes repercussões nas pessoas, famílias, negócios, cidades e nas relações de poder entre as nações.

Em temos económicos, este fenómeno demográfico gerou o surgimento de dois conceitos que coexistem e que são praticamente sinónimos: Longevity Economy e Silver Economy.

"O termo Longevity Economy foi definido pela Associação Americana de Pessoas Reformadas como sendo a soma de toda a atividade económica promovida pelas necessidades das pessoas com 50 anos ou mais, incluindo produtos e serviços comprados diretamente por este segmento da população, bem como toda a atividade económica gerada por este mesmo consumo.”

O termo Silver Economy é o mais utilizado a nível europeu e foi o primeiro a aparecer. A palavra “silver” faz uma referência direta aos cabelos grisalhos das pessoas mais velhas. Quer com isto dizer que o termo Silver Economy se refere à economia que tem os seniores como foco principal.

A Silver Economy refere-se às pessoas com 50 e mais anos de idade, seja no seu papel de consumidor, seja no de trabalhador, havendo, no entanto, um foco grande nas pessoas seniores com mais de 65 anos de idade (idade a partir da qual se considera que uma pessoa atinge a senioridade em termos etários).

O termo Longevity Economy foi definido pela Associação Americana de Pessoas Reformadas (AARP) como sendo a soma de toda a atividade económica promovida pelas necessidades das pessoas com 50 anos ou mais, incluindo produtos e serviços comprados diretamente por este segmento da população, bem como toda a atividade económica gerada por este mesmo consumo.

A diferença entre estes dois termos é a inclusão do impacto do consumo dos 50+ e o foco na longevidade, na definição da AARP, e a inclusão do trabalho e o foco no envelhecimento, no termo Silver Economy.

Na 40+ Lab decidimos usar o termo Longevity Economy (cuja tradução literal é Economia da Longevidade) porque consideramos que, do ponto de vista de promoção do desenvolvimento social e económico, o foco na longevidade é mais positivo que o foco no envelhecimento. Mas também porque observamos que as organizações que consideramos mais inovadoras e que estão a abordar o tema da demografia de uma forma interessante e sustentada utilizam o termo Longevity Economy.

Porém, não o definimos da mesma forma como a AARP. Para mim e para a empresa que dirijo, o termo Longevity Economy significa: a economia gerada pelas pessoas com mais de 40 anos (os 40 anos representam a idade a partir da qual as pessoas começam a desenhar as suas estratégias para a segunda metade da vida) seja em termos de compra como de consumo, seja ainda em termos do seu contributo para o desenvolvimento económico enquanto trabalhadores ativos, sendo que aqui também incluímos o impacto do trabalho de voluntariado executado por estas pessoas. A isto somamos todo o investimento publico com o envelhecimento e com a promoção do envelhecimento sustentado.

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