Empresas têm de “vencer o minifúndio que têm na cabeça”, diz Costa

Após verificar resultados do projeto da Bosch com a Universidade do Minho, o primeiro-ministro apontou ao “emparcelamento” das empresas e do sistema científico e tecnológico para ganhar escala global.

António Costa apresentou esta terça-feira a parceria entre a fábrica da Bosch em Braga e a Universidade do Minho, iniciada em 2013, como a inspiração para “dar força ao programa Interface” e para avançar com as chamadas Agendas Mobilizadoras para a Inovação Empresarial no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que obrigam à criação de consórcios com empresas e entidades do sistema científico e tecnológico.

“Sabemos que há um problema cultural no país. Todos temos um minifúndio na nossa cabeça. Temos de vencê-lo e proceder ao emparcelamento. As empresas, as universidades e as estruturas administrativas [do país] são pequenas demais. Temos de ganhar escala para ter o músculo necessário para enfrentar os desafios à escala global”, apontou.

O primeiro-ministro falava esta terça-feira no encerramento do evento Next – Driving Tomorrow, em Braga, onde a Bosch e a Universidade do Minho mostraram os resultados da parceria de inovação iniciada há oito anos. Acumulou um investimento de 165 milhões de euros e já resultou no registo de mais de 70 patentes nos domínios da mobilidade do futuro e da transformação digital da indústria.

Lembrando que esteve em 2016 na fábrica de Braga, que emprega 3.280 pessoas, durante a visita da ainda chanceler alemã Angela Merkel — no início da terceira fase deste projeto dedicado à condução autónoma e à digitalização da indústria –, valorizou o facto de as PME portuguesas que fornecem a Bosch Car Multimedia terem também, a reboque deste projeto, ganho “um trampolim para expandir a atividade” internacional.

Os cursos tecnológicos são decisivos para responder às necessidades do mercado de trabalho e das empresas, que precisam de doutorados, mas também de técnicos altamente especializados.

António Costa

Primeiro-ministro

Para António Costa, que tenta a reeleição nas legislativas agendadas para 30 de janeiro, houve “um salto enorme no posicionamento de Portugal na cadeia de valor global”. “Hoje não somos só um local onde se produz – que queremos continua a ser -, mas também onde se inventa o que vai ser produzido cá e um pouco por todo o mundo”.

“Aumentar a nossa participação na cadeia de valor não é só ter mais produtos e serviços de valor acrescentado. Mas entrar nessa cadeia numa fase decisiva para a geração desse valor”, completou o chefe do Executivo. Promete perseguir a meta de 3% do PIB aplicado em investigação e desenvolvimento em 2030 (vs. 1,6% na atualidade) e dramatizou que o país não pode “desperdiçar o seu recurso mais precioso – mais até do que os fundos comunitários -, que é o capital humano”.

O primeiro-ministro contabilizou ainda que há neste momento 134 localidades com oferta de ensino superior, incluindo 919 cursos de formação superior tecnológica, que apontou como “decisiva para responder às necessidades do mercado de trabalho e das empresas que precisam de doutorados, mas também de técnicos altamente especializados”.

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