Um em cada dez trabalhadores ainda estava em teletrabalho no terceiro trimestre

Mais de um em cada dez trabalhadores ainda estava a trabalhar em casa no final de setembro, mesmo antes de o teletrabalho deixar de ser recomendado.

O tema está em cima da mesa: perante o agravamento da pandemia em Portugal nas últimas duas semanas, o Governo decidiu marcar uma nova reunião no Infarmed com os especialistas e já se especula se o teletrabalho pode voltar a ser recomendado, depois de essa recomendação ter caído em outubro. Mas quantas pessoas é que ainda estão nessa situação? E quanto poderão vir a estar caso seja recomendado?

Não existe uma estimativa de quantas pessoas estão em teletrabalho neste momento, após ter caído a recomendação em outubro. Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) referem-se ao terceiro trimestre, um período marcado pelo verão, pela redução progressivas das restrições e pelo fim da obrigatoriedade do teletrabalho a partir de 1 de agosto.

Ao todo, entre julho e setembro, havia 617,6 mil trabalhadores (12,7% da população empregada) a trabalhar a partir de casa. Este é o segundo valor mais baixo de teletrabalho desde que a pandemia começou, apenas superado pelo quarto trimestre de 2020 (597,5 mil/12,3%) — este período ficou marcado pelo regresso do estado de emergência e do teletrabalho obrigatório.

No início da pandemia havia um milhão de trabalhadores em teletrabalho

Fonte: Instituto Nacional de Estatística (INE).

Recuemos cerca de dois anos. O pico do teletrabalho em Portugal registou-se logo no início da pandemia, no segundo trimestre de 2020, quando mais de um milhão de trabalhadores (um milhão e 94 mil), o equivalente a 23,1% da população empregada, trabalhou a partir de casa. Este foi o período de maior incerteza dado que se desconhecia a Covid-19, nem havia vacinas ou tratamentos disponíveis.

Esses números de teletrabalho não se repetiram mais, nem quando o país entrou novamente em confinamento. No segundo “lockdown”, no primeiro trimestre de 2021, quando Portugal era o país com a situação pandémica mais grave de todo o mundo, 967,7 mil trabalhadores ficaram a trabalhar a partir de casa, o equivalente a 20,7% da força de trabalho.

O recurso ao teletrabalho baixou progressivamente nos meses seguintes, tendo o estado de emergência terminado no final de abril. No segundo trimestre de 2021, num período em que o teletrabalho passou a ser obrigatório apenas nos concelhos mais afetados pela pandemia (sendo recomendado nos restantes), havia 717 mil trabalhadores neste situação, o equivalente a 14,9% da população empregada.

No início de agosto, com o processo de vacinação a todo o gás e grande parte da população já inoculada, o Governo deixou cair totalmente a obrigação do teletrabalho, mantendo, no entanto, a recomendação e a obrigação de manter as equipas em espelho e horários desfasados no caso de empresas com locais de trabalho com 50 ou mais trabalhadores. Além disso, passou a existir testagem frequente em algumas empresas.

A recomendação do teletrabalho viria a cair em outubro com a fase final do desconfinamento em Portugal, restando apenas algumas restrições como o uso de máscara em espaços fechados públicos. Desde então o número de trabalhadores a partir de casa deve ter caído, podendo estar em níveis semelhantes ou até inferiores aos registados no quarto trimestre de 2020. Estes dados só serão divulgados pelo INE no início do próximo ano.

A queda esperada para o recurso ao teletrabalho no quarto trimestre deste ano pode ser invertida caso o Governo decida voltar a recomendar o teletrabalho –– ou até torná-lo obrigatório –, após a reunião com os especialistas de saúde pública na sexta-feira. Tendo como referência os números do confinamento do início do ano, ainda que não seja expectável que se chegue a essa situação, pode haver mais 300 mil trabalhadores a ir para trabalho remoto. Já se se voltar à situação do segundo trimestre deste ano, a diferença face ao terceiro trimestre é de 100 mil trabalhadores.

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