Próximas emissões da Mota Engil “seguramente” vão ter cunho da sustentabilidade

Em relação à emissão de green bonds, Gonçalo Moura Martins diz que "não sabe se torna a emissão mais barata" mas acredita que "torna-a seguramente mais bem aceite pelos conjuntos dos investidores".

A Mota-Engil garantiu, no final do mês passado, um financiamento de 110 milhões com a venda de obrigações sustentáveis. Gonçalo Moura Martins, CEO Grupo Mota-Engil, adiantou que as próximas emissões da empresa “seguramente” vão voltar a ter o cunho da sustentabilidade.

Questionado se essa característica sustentável ajudou a reduzir o custo de financiamento, Gonçalo Moura Martins diz que “não sabe se torna a emissão mais barata, mas torna-a seguramente mais bem aceite pelo conjunto dos investidores”.

Numa intervenção durante a 4.ª edição da Fábrica 2030, uma conferência organizada pelo ECO no Palácio da Bolsa, no Porto, o gestor realça que a sustentabilidade é uma preocupação para a empresa e que têm o “cuidado de mapear todos os fornecedores”.

“Temos muito cuidados na seleção dos nossos fornecedores, muitos deles já grandes multinacionais que já incorporam cuidados e exigências a nível internacional muito relevantes é e uma preocupação constante”, destaca o CEO Grupo Mota-Engil.

Para Gonçalo Moura Martins, a “sustentabilidade não é uma alternativa para as empresas”, mas sim “o futuro” e que hoje em dia o “problema do cumprimento de metas e critérios rigorosos exigentes da sustentabilidade é uma obrigação. A sociedade exige às empresas muito mais que serem geradoras de emprego“, afirma o CEO Grupo Mota-Engil, durante a intervenção.

Em relação aos resíduos, o CEO da construtora garante que “cumprem as regulamentações de todos os países onde têm atividade” e que são “altamente exigentes nessa componente por opção própria e porque a generalidade do clientes também o exige”.

Polopique diz que sustentabilidade não dá dinheiro, mas é o caminho a seguir

O tema sustentabilidade tem feito correr muita tinta e cada vez mais empresas assumem-se como sustentáveis, mas afinal o que é uma empresa sustentável e ser sustentável dá dinheiro? Os consumidores sabem em concreto o que é um produto sustentável? O CEO Polopique, Luís Guimarães, alerta que o tema sustentabilidade ainda tem muito caminho a percorrer.

Na ótica do líder da empresa de vestuário que tem feito ao longo dos anos investimentos no campo da sustentabilidade, o tema ainda ainda “é um chavão” e que ainda “não é uma regra comum europeia ou mundial”.

Questionado se a sustentabilidade dá dinheiro? Luís Guimarães afirma quase de imediato que “não, não dá dinheiro” e explica que não dá dinheiro dá “porque infelizmente lutam contra fatores muito adversos”.

Apesar de ainda não dar dinheiro, o CEO está confiante que é o caminho a seguir. “Não diria que dá dinheiro, mas lutamos para que seja um produto com valor acrescentado. É um caminho difícil que já vimos a traçar há muito tempo, mas estamos quase lá, nunca desistimos”, realça o gestor, ao mesmo tempo que justifica fazer esse investimento na sustentabilidade “é inevitável” e que todos os investimentos que a Polopique tem feito é no sentido da sustentabilidade.

Luís Guimarães lembra que a palavra sustentabilidade é usada “com muita facilidade”, mas quando “se vai a averiguar o fator sustentabilidade de um produto ele não existe”. Em relação aos consumidores, lembra que ” o próprio consumidor ainda não está informado do que é um produto sustentável”.

Isabel Trigo de Morais, CEO Sociedade Ponto Verde, avisou na mesma conferência que o “consumo sustentável vai depender se da capacidade da cadeia de valor ser transparente e gerar confiança no consumidor”.

A CEO Sociedade Ponto Verde deixa um alerta e diz que “Portugal está globalmente atrasado nas metas do cumprimento de reciclagem” e que devia apostar mais na inovação e envolver mais parceiros.

Gerir resíduos de embalagens em Portugal já custa às empresas 100 milhões de euros por ano. Estamos a falar de muita materialidade. Gostava de me dedicar à inovação, financiar projetos de inovação, olhar para projetos colaborativos com os meus parceiros da cadeia de valor, municípios, sistemas intermunicipais, consumidor”, realça Isabel Trigo de Morais.

Na ótica da gestora, “não haverá sustentabilidade que ponha o país a crescer sem a capacidade de alinhar o investimento privado, o investimento público e as universidades para conseguirmos obter estes resultados”, conclui.

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