Empresas portuguesas deverão gastar mais 4% com planos de Saúde em 2022

  • ECO Seguros
  • 20 Dezembro 2021

Em Portugal, as doenças cardiovasculares, cancerígenas, diabetes estão entre as que mais contribuem para os custos dos planos de saúde empresariais. Doenças mentais destacaram-se na Europa, diz a AON.

Rita Silva (Senior Associate HR Solutions da Aon Portugal): Doença mental foi uma das patologias a integrar o top 5 na Europa, “o que pode ser visto como uma condição claramente agravada pela pandemia”.

As empresas portuguesas devem contar com um aumento bruto de 4% nos custos com planos de Saúde disponibilizados aos colaboradores em 2022, acima da previsão de 1,2 % para a inflação, avança a AON Portugal.

A Europa deve esperar um incremento médio de 5%, sem descontar a inflação, e os custos de saúde das empresas aumentarão 7,4% a nível global. O incremento esperado para Portugal iguala os 4% indicados para França e Itália, enquanto Espanha deve esperar uma subida de 5%, prevê o 2022 Global Medical Trend Rates Report, divulgado pela companhia global de consultoria de risco, reforma, saúde e pessoas.

Rita Silva, Senior Associate em HR Solutions da Aon Portugal, explica que “na edição do estudo deste ano, verificamos que cerca de 60% dos países inquiridos reportaram níveis de utilização do plano de saúde por parte dos colaboradores inferiores ou muito inferiores aos níveis observados durante o ano pré-pandémico de 2019, e embora ainda haja alguma incerteza quanto ao impacto dos cuidados de saúde no longo prazo, espera-se um gradual retorno aos valores anteriores”.

O estudo destaca a doença mental como sendo considerada “uma das patologias a integrar o top 5 na Europa, o que pode ser visto como uma condição claramente agravada pela pandemia e pela forma como obrigou a uma adaptação forçada nos estilos de vida e de bem-estar, quer pelas horas de trabalho excessivas, pela dificuldade de separação do ambiente profissional e pessoal, pelo medo, ansiedade e incerteza gerados pelo contexto a que todos fomos expostos, ou até a situações mais extremas de solidão e vícios/dependências que se agravaram,” admite Rita Silva.

A atualização do Medical Trend Rates assinala que a nível global foram as condições cardiovasculares e cancerígenas, 65% e 64% respetivamente, seguindo-se das condições de pressão arterial elevada ou de hipertensão, com 56%, que registaram o maior custo nos planos de saúde. Na Europa “destacam-se as doenças relacionadas com a doença mental (48%), o que vem mostrar o impacto que a pandemia estar a ter nas rotinas da população”.

O top 5 em Portugal regista ainda as doenças cardiovasculares, cancerígenas, diabetes, musculoesqueléticas associadas a problemas de costas e pressão arterial elevada ou hipertensão como as que mais contribuem para os custos dos planos de saúde empresariais.

Entre os fatores de risco que determinam os custos associados ao plano de saúde empresariais verifica-se que os efeitos da pandemia tiveram um grande impacto na saúde dos colaboradores, nomeadamente os maus hábitos de estilo de vida que se deterioraram com os confinamentos. Quando comparados com o período homólogo, os fatores de risco que registaram uma subida significativa foram os que estão relacionados com a falta de exercício físico (62% vs 54%) e a incorreta gestão do stress (56% face a 47%).

Ainda, em relação a Portugal, o top 3 dos fatores de risco são a falta de rastreio médico – fator que também pode ser associado à pandemia, devido ao adiamento de idas ao médico durante este período – a condição genética e o envelhecimento da população.

A análise mostra ainda que, em termos globais, as coberturas dos planos de saúde mais procuradas são as que estão relacionadas com a hospitalização (88%), os serviços clínicos de laboratório e de análises clínicas (83%), e os serviços médicos (74%). De referir que esta mesma análise no mercado nacional regista uma semelhança, com a hospitalização, serviços clínicos de laboratório e de análises clínicas e estomatologia a serem os mais procurados.

O relatório também antecipa fatores que vão impactar a subida dos custos das empresas com a saúde: “envelhecimento da população, o declínio geral da saúde – em parte resultado da ausência de diagnostico e de acompanhamento para algumas situações clínicas consideradas “não urgentes” nos últimos dois anos –, estilos de vida pouco saudáveis – associados ao sedentarismo, stress e maus hábitos de nutrição – e o aumento da prevalência de doenças crónicas”, fatores aos quais se junta agora o impacto a longo prazo que o adiamento das idas ao médico durante a pandemia terá nesta tendência de crescimento de custos.

No sentido de mitigar o aumento dos custos dos planos de saúde a Aon regista um aumento do número de empresas a desenvolver programas ligados à promoção da saúde e do bem-estar dos colaboradores. A nível global iniciativas de bem-estar (86%) e planos de benefícios flexíveis (59%) são os modelos a ter em consideração. A alimentação saudável, atividade física e controlo de peso são as iniciativas recomendadas também na Europa e em Portugal.

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