Se for primeiro-ministro, TAP é para privatizar, diz Rio

  • Joana Abrantes Gomes
  • 7 Janeiro 2022

O líder do PSD, Rui Rio, considera que a TAP "é uma vergonha" e admitiu privatizar a companhia, se chegar ao cargo de primeiro-ministro.

Rui Rio defendeu esta sexta-feira a privatização da TAP. No frente a frente com o líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, o candidato do PSD às eleições legislativas de 30 de janeiro respondeu afirmativamente quando questionado se a companhia de aviação portuguesa é para privatizar se for primeiro-ministro. “Aquilo que o Governo [de António Costa] fez com a TAP é uma vergonha”, disse, acrescentando que o Governo PSD-CDS “privatizou e bem”.

“Acha que a TAP fica neste estado, a sangrar permanentemente as finanças públicas, em vez de servir o país como um todo? Não faz serviço público nenhum, só serve o aeroporto de Lisboa, abandona Faro, abandona Porto, abandona as regiões autónomas“, considerou Rui Rio, no debate televisivo transmitido na TVI.

O líder social-democrata começou o frente a frente com Rodrigues dos Santos por delinear diferenças entre os partidos de ambos, dizendo que votar no PSD é “votar mais ao centro”, enquanto um voto no CDS é “mais à direita” e “mais conservador”. Para Rui Rio, no centro “cabem eleitores de direita, mas também de esquerda”, o que já existe “desde os tempos de Sá Carneiro e Freitas do Amaral”.

Sobre o facto de o PSD ir a votos sozinho, contrariamente ao que aconteceu em vários municípios nas eleições autárquicas, Rui Rio justificou que “o mais comum” é os dois partidos não irem coligados, mas admitiu ter existido “um grande debate interno sobre a coligação com o CDS”, que acabou por ser rejeitada.

Depois de Francisco Rodrigues dos Santos apelar ao voto no CDS, dizendo que é o único que garante que o PSD “não vai por maus caminhos”, designadamente “para o bolso de António Costa”, o líder social-democrata rematou: “voto útil, voto útil é no PSD, que é quem pode impedir o PS de governar”. Porém, Rui Rio revelou que, no caso de vencer as legislativas sem maioria, o primeiro partido com o qual procurará entendimentos é o CDS.

Por seu lado, o líder centrista respondeu que “o CDS não foi descartado, tem projeto próprio e não é muleta”. Para Francisco Rodrigues Santos, o voto útil terminou em 2015, com a formação da geringonça. “Temos uma identidade de direita, não somos um partido do centro, porque quem é do centro é tudo e o seu contrário”, declarou.

Essa postura dá ao CDS a “oportunidade” de ser a voz da direita sensata e com sentido de compromisso, acrescentou, criticando Rui Rio por fazer acordos com os socialistas sobre a descentralização e por ter admitido viabilizar um Governo PS.

Francisco Rodrigues dos Santos não ficou sem resposta de Rui Rio, que sublinhou a existência de “eleições democráticas”, nas quais os partidos que perderem “devem estar disponíveis para construir a governabilidade do país”. “Se eu ganhar, os outros têm de estar disponíveis para contribuir para a estabilidade; se eu perder, tenho de estar disponível para o mesmo”, realçou, lembrando os meses de negociações até à formação do novo Governo alemão.

O debate, que ficou ainda marcado pela discussão de temas como a redução de impostos, nomeadamente do IRC e do IRS, e a eutanásia, terminou com Rui Rio a dizer: “Se não quiserem votar no PSD, podem votar no CDS”.

(Notícia atualizada às 22h36)

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