Recuperação das empresas será desigual no pós-pandemia, até no mesmo setor

A recuperação das empresas depois da pandemia vai ser ritmos diferentes, nomeadamente nos setores mais afetados pela Covid-19 e nas microempresas.

Após a crise provocada pela pandemia, as estimativas apontam para que as empresas portuguesas consigam recuperar a rendibilidade para os níveis que se verificavam antes de surgir a Covid-19 até 2023. No entanto, esta trajetória deverá acontecer de forma diferente para as empresas, mesmo entre aquelas que operam no mesmo setor.

Segundo as projeções do Banco de Portugal, no Relatório de Estabilidade Financeira, a recuperação da rendibilidade média das empresas deverá acontecer “com alguma heterogeneidade entre setores e um aumento da dispersão entre empresas do mesmo setor, sobretudo nas microempresas e nas empresas dos setores do alojamento e restauração e do comércio”.

Estas diferenças acontecem, assim, dentro dos setores que foram mais afetados pela pandemia, que levou à imposição de medidas restritivas a estas atividades, bem como à circulação de pessoas. No setor do alojamento e restauração, a rendibilidade média reduziu-se em 11,1 pontos percentuais para
-0,7%, em 2020, tendo também ocorrido uma diminuição da autonomia financeira, pelo que a recuperação para os níveis de 2019 poderá demorar.

Apesar de as projeções indicarem uma recuperação, vão também aumentar as empresas insolventes, como consequência da crise provocada pela pandemia. “Refletindo o aumento da densidade em valores baixos do rácio de autonomia financeira, entre 2020 e 2023, projeta-se um aumento do número de empresas com capital próprio negativo ou em situação de insolvência, com destaque para o setor do alojamento e restauração”, sinaliza o Banco de Portugal, no relatório.

No entanto, esta subida é menos acentuada quando se ponderam as empresas pelo seu ativo, mostrando “o pior desempenho económico das empresas de menor dimensão”. Existe assim, de novo, diferenças entre as diferentes tipologias de empresas no desempenho após a pandemia.

O Banco de Portugal faz também uma análise dos indicadores de solvência que mostra que estes serão “menos favoráveis nas empresas que recorreram à moratória face às empresas elegíveis que não recorreram a essa medida”. Para as empresas que recorreram à moratória, as previsões apontam para uma recuperação gradual entre 2021 e 2023.

É de sublinhar, ainda assim, que estas estimativas poderão ser afetadas pela incerteza que ainda rodeia a pandemia, bem como pela recuperação económica dos países.

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