TAP responde a Rui Rio sobre o voo para São Francisco. “É a lei da oferta e da procura”

No debate ontem com António Costa, Rui Rio disse que a TAP cobrava mais aos portugueses do que aos espanhóis por uma viagem a São Francisco. A TAP já respondeu.

A presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener. MIGUEL A. LOPES/LUSA

A TAP foi um dos temas a marcar o debate entre os líderes do PS e PSD que concorrem às legislativas de 30 de janeiro. Já no final do debate, Rui Rio acusou a TAP de cobrar mais aos portugueses do que aos espanhóis numa viagem para os EUA, afirmando que a companhia serve o país “de forma absolutamente indecente”.

O líder do PSD confrontou António Costa com um quadro com as tarifas de um voo da TAP de Madrid para São Francisco, e que faz escala em Lisboa.

“Um voo da TAP que faz Madrid-São Francisco, e faz escala em Lisboa. Sabe quanto paga o espanhol? 190 euros de Madrid a São Francisco com escala em Lisboa. O português, se apanhar o avião em Lisboa para ir para São Francisco, paga 697 euros”.

Rio referiu ainda que a TAP é uma “companhia de bandeira, mas é companhia de bandeira espanhola ou de outro país qualquer. Quem paga somos nós. Isto é revoltante”.

A TAP já reagiu. Numa mensagem escrita enviada ao ECO, a companhia aérea explica a diferença de preços com o facto de um voo ser direto e o outro não. Ou seja, para encher um voo para os EUA têm de ir buscar passageiros a outras paragens, e só consegue convencer os espanhóis se cobrar uma tarifa competitiva. Já os voos diretos, diz a empresa, são normalmente mais caros do que os voos com escalas.

Os preços são determinados pela lei da oferta e da procura. Há uma forte concorrência na oferta de voos de qualquer aeroporto da Europa para os EUA. Para a TAP atrair passageiros que desejam voar entre Madrid ou Barcelona e um destino nos EUA — o exemplo dado, mas válido para quase todos os casos — deve ter um preço que seja competitivo com a oferta de companhias aéreas que operam voos diretos na mesma rota, ou com uma escala em qualquer outro hub. Esta é uma política de preços comum à maioria das companhias aéreas”, explica a TAP.

A empresa liderada por Christine Ourmières-Widener afirma ainda que “os voos diretos entre dois destinos têm sempre uma maior procura do que os voos com escalas. A lei da oferta e da procura funciona, pelo que são normalmente mais caros do que os voos com escalas, um produto mais demorado, menos confortável e pior, desse ponto de vista”.

Debate entre António Costa e Rui Rio para as Legislativas 2022 - 13JAN22

Rio quer vender a TAP “o mais depressa possível”

No debate ontem no Capitólio, o líder do PSD mostrou-se contra a injeção de 3,2 mil milhões de euros de dinheiros públicos na TAP, calculando que as ajudas à empresa quase que equivalem à receita anual de IRC em Portugal. O líder do PSD voltou a criticar a transportadora aérea por “apenas servir o Aeroporto de Lisboa e não ligar nada ao resto do país”, notando que, “mesmo Lisboa, serve de maneira indecente”. E, por isso, defende a privatização da empresa.

Questionado sobre a meta temporal para a privatização, Rio respondeu que devia ser “o mais depressa possível”. “Mas não pode ser amanhã porque senão vende-se mal e tem de se vender bem”.

Costa quer alienar 50% do capital

No debate, António Costa também disse que ia abrir o capital da empresa a privados, mas não a maioria.

Afirmou acreditar que o próximo Executivo estará “em condições de poder alienar 50% do capital”, notando que “já há companhias interessadas” em ficar com a transportadora aérea.

E defendeu a intervenção realizada assim que chegou a primeiro-ministro: “Se o Estado não tivesse readquirido o capital alienado, a TAP teria ido para o buraco com o Sr. [David] Neeleman. Foi por isso que conseguimos salvar a TAP”.

Rio: “fechava a TAP e criava uma empresa ao lado”

Já esta sexta-feira, no rescaldo do debate, Rui Rio foi confrontado novamente pelos jornalistas com o tema da TAP e reiterou que a empresa “acumulou prejuízos ao longo dos anos e que esses prejuízos têm vindo a ser pagos por impostos dos portugueses”.

Reconhece que a pandemia complicou a vida da empresa, mas diz que depois da injeção de 3,2 mil milhões de euros, a TAP voltará a ser “igual àquilo que ela sempre foi, de mão estendida ao contribuinte português”.

Daí defender a privatização que foi feita pelo Governo PSD de Pedro Passos Coelho, recordando que mais tarde António Costa viria a reverter essa privatização.

O que é que Rio teria feito de diferente? “Fechava a TAP e fazia ao lado, de raiz, uma companhia nova, que é o que foi feito noutros países”. O caso mais recente é o da Italia Trasporto Aereo (ITA), uma nova empresa criada para suceder à Alitalia.

“Agora, como já foi metido lá muito dinheiro, mais vale capitalizar e procurar alguém que queira comprar a participação [do Estado] e a assuma a gestão”, conclui o líder do PSD.

(Notícia atualizada com mais informação às 12h36)

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