Comunistas acusam PS de “apropriar-se” das propostas do PCP

João Oliveira, que está a substituir Jerónimo de Sousa na primeira parte da campanha eleitoral para as legislativas, atacou ainda os socialistas por terem empurrado o país para eleições.

O dirigente comunista João Oliveira acusou este sábado o PS de estar a apropriar-se das propostas apresentadas pelo PCP na Assembleia da República e de as incluir na propaganda eleitoral como conquistas socialistas.

Em Montemor-o-Novo e a um dia do arranque oficial da campanha para as eleições legislativas, João Oliveira, membro da Comissão Política do Comité Central do PCP, recorreu a uma expressão popular para apontar o dedo ao PS: “Em tempo de campanha eleitoral parece que somos todos pardos, como os gatos à noite”.

“O PS, que durante seis anos teve uma ação de resistência, de recusa e de entrave a todas as medidas positivas que nós apresentámos e que deviam ser concretizadas, agora tenta apropriar-se da autoria dessas mesmas medidas positivas como se elas resultassem da sua ação”, sustentou João Oliveira, que é cabeça de lista da CDU pelo círculo eleitoral de Évora, notando que essas propostas são fruto “da persistência” do PCP e do PEV.

Em tempo de campanha eleitoral parece que somos todos pardos, como os gatos à noite.

João Oliveira

Dirigente do PCP

Sem arredar pé das críticas, João Oliveira reforçou que PS, PSD, CDS-PP, Chega e IL são apenas “forças de oposição” a todas as soluções para os problemas do país. “Agora falam delas [das propostas] e algumas delas introduzem-nas nos próprios programas eleitorais. Como se alguém pudesse levar a sério aquilo que agora alguém diz exatamente ao contrário daquilo que acabou de fazer, chumbando as medidas que agora diz defender”, completou.

O também líder parlamentar do PCP disse ainda que o PS “fez mal em forçar a queda do Governo, em forçar a dissolução da Assembleia da República” e em empurrar o país para eleições antecipadas.

Apoio na rua para suceder a Jerónimo

No final da sessão pública, que se realizou em frente o mercado municipal de Montemor-o-Novo, João Oliveira foi cumprimentado os populares que pararam para o escutar, através de uma demonstração de afeto que fazia lembrar a postura a que Jerónimo de Sousa habituou os portugueses.

O dirigente comunista encontrou uma mulher com quem já tinha conversado sobre as dificuldades no acesso ao emprego. Questionada sobre se gostava de ver João Oliveira como próximo secretário-geral do PCP, não escondeu a preferência pelo ‘número um’ por Évora: “Mas eu sou suspeita… Não sou militante, mas sou simpatizante da CDU”.

Os dirigentes comunistas João Ferreira e João Oliveira estão a substituir provisoriamente o secretário-geral do PCP na campanha para as eleições legislativas, enquanto Jerónimo de Sousa recupera de uma operação de urgência à carótida interna esquerda a que foi submetido na quinta-feira.

Nas legislativas de 2019, a Coligação Democrática Unitária (CDU) – que integra o PCP, o PEV e a Associação Intervenção Democrática – elegeu 12 deputados (dez do PCP e dois do PEV) e obteve 6,33% dos votos, ou seja, 332.473 votos (de um total de 5.251.064 votantes), menos 113.507 do que em 2015, de acordo com o Ministério da Administração Interna (MAI).

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