Estudo aponta que imunidade natural foi mais protetora durante variante Delta nos EUA

  • ECO
  • 20 Janeiro 2022

Os autores do estudo alertaram, no entanto, para os riscos de utilizar a infeção como estratégia, dado que as pessoas que não tinham sido vacinadas têm maior risco de ser hospitalizadas ou de morte.

Um estudo realizado nos Estados Unidos apontou que, durante o aumento de casos associado à variante Delta, as pessoas que não foram vacinadas, mas sobreviveram à Covid, estavam mais protegidas do que aquelas que foram vacinadas e não tinham sido infetadas anteriormente. No entanto, os cientistas avisam que a vacinação continua a ser a estratégia mais segura para se proteger contra a doença.

O estudo foi realizado entre 30 de maio e 30 de novembro de 2021, partindo da análise de mais de 1,1 milhão de pessoas que foram infetadas pelo SARS-CoV-2 em Nova Iorque e na Califórnia, tendo sido publicado no site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, na quarta-feira.

De acordo com este estudo, citado pela AFP, antes de surgir a variante Delta as pessoas vacinadas e que nunca tinham sido infetadas pelo SARS-CoV-2 estavam mais protegidas do que os não vacinados, que já tinham sido infetados. Contudo, após a disseminação desta variante o cenário ter-se-á invertido.

Os autores do estudo alertaram, no entanto, para os riscos de utilizar a infeção como estratégia, dado que ficou provado que as pessoas que não tinham sido vacinadas e que testaram positivo tinham maior probabilidade de ser hospitalizadas, bem como de ter impactos a longo-prazo e de morte, em comparação com os vacinados. “O nível de proteção conferido pela vacinação e a sobrevivência a uma infeção anterior mudou durante o período do estudo. A vacinação continua a ser a estratégia mais segura para se proteger contra o Covid-19”, avisa o CDC.

Em Portugal, o bastonário da Ordem dos Médicos já se tinham manifestado contra seguir uma estratégia de imunidade natural, indicando que poderia ter “consequências catastróficas”, disse, em declarações à CNN Portugal.

De acordo com este estudo, na semana de 3 de outubro de 2021, as pessoas vacinadas que ainda não tinham sido infetadas anteriormente tinham três a quatro vezes (na Califórnia e em Nova Iorque, respetivamente) mais probabilidade de serem infetadas, em comparação com que pessoas que não tinham sido vacinadas nem tinham tido Covid. Além disso, o estudo revelou ainda que a proteção foi superior para as pessoas vacinadas e que já tinham tido Covid.

Importa ainda sublinhar que este estudo pode, no entanto, estar impactado por um efeito denominado “viés de seleção”, dado que exclui as pessoas que entretanto morreram, que foram esmagadoramente não vacinadas, segundo a AFP.

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