BRANDS' ECOSEGUROS O cosseguro e o estilo vintage…

  • ECOSeguros + Innovarisk Underwriting
  • 17 Fevereiro 2022

Joel Lopes, subscritor de Patrimoniais Empresas da Innovarisk, explica a relação entre cosseguro e o estilo vintage, enumerando os fatores para o reaparecimento desta solução de seguro.

Ao ler o título o leitor deve estar a pensar qual será a relação entre estes dois conceitos, em que um deles é um tipo de formato de apólice de seguro e o outro é, hoje em dia, usado em tudo o que é antigo ou o representa.

Mas vejamos, há muitos anos atrás era normal vestirem-se calças à boca-de-sino, usarem-se gravatas de cornucópias, conduzir motas scrambler ou cafe racer – estilo de motas semelhante àquela que aparece no filme Mad Max; ou até ouvir a rádio atrás de telefonias, que pareciam pequenos baús. Porém, e com o passar dos anos, as coisas foram evoluindo até chegarem artigos substitutos e, desta forma, passarem de moda.

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Joel Lopes, subscritor de Patrimoniais Empresas da Innovarisk.

Acontece que, agora ao fim de tantos anos, algumas destas coisas voltaram a estar em voga, apontadas como estilo vintage: grandes marcas de roupa voltam a usar cornucópias nos seus padrões; praticamente todas as marcas de motas têm modelos scrambler e, existem inúmeras colunas de áudio a imitar as telefonias antigas.

O mesmo acontece com o cosseguro – modalidade de apólice de seguro em que diversas seguradoras, devidamente nomeadas na apólice, e conhecidas pelo segurado, participam no risco – que está a voltar a estar na “moda”.

Há uns anos atrás acontecia de forma frequente porque as capacidades das seguradoras eram menores (ou o apetite de risco era mais limitado em determinados riscos) e, também porque era uma forma de benchmarking – técnica usada, especialmente na indústria, para acompanhar/descobrir processos de organizações concorrentes – em que o objetivo seria as várias seguradoras perceberem as condições (taxas) que as suas concorrentes andavam a praticar em determinadas tipologias de risco.

Com o passar dos anos, o mercado ressegurador ficou mais próximo das seguradoras do seguro direto, muito fruto dos avanços tecnológicos que existiram, e os cosseguros foram-se transformando em “super” apólices, com recurso a resseguro facultativo nessas companhias. O resseguro, ao contrário do cosseguro, é o formato de apólice em que um ou vários resseguradores participam no risco mas o tomador não tem conhecimento, pois simplesmente aparece nomeada apenas e só a sua seguradora, a chamada “seguradora de direto”.

Em relação aos seguros de patrimoniais empresas, o reaparecimento, ou a frequência de aparecimento, da solução de cosseguro acontece como consequência de vários fatores: o endurecimento do mercado segurador (hard market) – que faz com que os apetites e capacidades sejam mais limitados, e as condições mais gravosas; a redução de capacidade dos tratados de resseguro das companhias como forma de redução/controlo de custos, e a estagnação das características de alguns riscos. Entenda-se esta estagnação pela falta de investimento ao nível da melhoria das características construtivas dos riscos e melhoria das medidas de prevenção/proteção e, ainda pela falta de implementação de uma cultura de gestão de risco; isto tem naturalmente mais aplicação ao nível da indústria, e faz com que aos dias de hoje, alguns riscos, deixem de ser apetecíveis quando anteriormente o eram, ou pelo menos eram considerados como aceitáveis.

Em suma, e face ao exposto, podemos assumir que o cosseguro também é, ou será no curto prazo, um conceito vintage nos seguros, tal como as telefonias o são no áudio.

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