Groundforce vai “recuperar os níveis pré-pandemia”, diz administrador de insolvência

Bruno Costa Pereira, administrador de insolvência da empresa de handling, afirma que o crescimento da atividade vai obrigar a novas contratações.

Seis meses depois do tribunal ter declarado a insolvência da Groundforce, a empresa tem a atividade equilibrada e, segundo Bruno Costa Pereira, administrador de insolvência da empresa de handling, boas perspetivas para crescer.

As contas de 2021 ainda não estão fechadas, mas “há uma retoma a partir da situação de aperto que se vivia. O ano de 2021 foi melhor do que o de 2020″, garante Bruno Costa Pereira, que partilha a gestão da Groundforce com Pedro Pidwell, o outro administrador de insolvência nomeado pelo Juízo de Comércio do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa.

Um comunicado da Comissão de Trabalhadores, divulgado na terça-feira após uma reunião com os gestores, dá conta que “o mês de janeiro foi marcado por uma quebra da receita prevista, na ordem de pouco mais de um milhão de euros, devido aos vários cancelamentos de voos”. Mas, “mesmo assim foi possível dar resposta aos compromissos financeiros”.

Bruno Costa Pereira está otimista em relação ao futuro. “As expectativas com o fim das restrições covid são de uma retoma progressiva a partir de final de março”, quando a TAP também irá reforçar a sua operação. O gestor está confiante que a empresa de handling vai “recuperar os níveis pré-pandemia”.

O crescimento da atividade abre a porta à entrada de mais trabalhadores. “Reforçámos a estrutura da Groundforce com mais de 100 pessoas. O processo vai continuar com a previsão de crescimento a partir do final de março”, adianta o administrador de insolvência.

Encerrado está também o diferendo que existia com a TAP a propósito do contrato de “sale and leaseback dos equipamentos da Groundforce, que fez entrar 6,97 milhões de euros na empresa de handling em março do ano passado, para ajudar a pagar salários, e que representava um custo mensal elevado (cerca de 460 mil euros). Bruno Costa Pereira não quis, no entanto, explicar os termos do acordo, que diz terem ainda de ser apresentados aos credores.

No seu comunicado, a Comissão de Trabalhadores refere que a “empresa está a ser alvo de avaliação por parte da Autoridade Tributária, para que possa receber o reembolso do IVA, relativo à recuperação dos equipamentos (na ordem de 1,5 milhões de euros).

Insolvência pode só transitar em julgado em 2023

A insolvência da Groundforce foi decretada pelo tribunal a 4 de agosto. A 22 de setembro, a assembleia de credores aprovou a manutenção da atividade da empresa e a apresentação de um plano de recuperação pelos administradores de insolvência.

A principal contrariedade que a Groundforce enfrenta neste momento é mesmo a demora na transição em julgado da declaração de insolvência, devido a um recurso apresentado pelo antigo presidente da companhia, Alfredo Casimiro.

“Enquanto não houver uma decisão judicial não pode ser discutido e votado o plano de recuperação”, assinala Bruno Costa Pereira, acrescentando que aquela ainda pode demorar vários meses. “A justiça tem os seus timings“, diz.

Francisco Henriques, dirigente do Sitava (Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos) e um dos membros da comissão de credores, explicou ao ECO que o tribunal da relação decidiu que a providência cautelar apresentada pelo dono da Pasogal tinha mesmo de ser julgada, pelo que o processo voltou a baixar à primeira instância.

E diz que a perspetiva na Groundforce é que o processo não estará resolvido antes do verão de 2023, “no melhor cenário“. O que pode ter implicações na operação futura da empresa. “As licenças para operar na Madeira e Porto Santo caducam no final do ano“, o que pode inviabilizar a participação num novo concurso. Mas confia na possibilidade de uma decisão administrativa do regulador que prorrogue a licença, como aconteceu noutros países durante a pandemia.

A terminar está também o contrato de prestação de serviços com a TAP existe uma cláusula de renovação. “Mesmo terminando em Junho de 2022, se não se encontrar uma solução definitiva até lá, este passará a vigorar por períodos de seis meses”, afirma a Comissão de Trabalhadores.

“Um processo de insolvência é caracterizado por incerteza”, sublinha Bruno Costa Pereira. “O nosso objetivo é que a empresa recupere e que os credores recuperem o máximo dos seus créditos“, garante.

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