China tenta acalmar mercados financeiros com promessas de maior apoio

  • Lusa
  • 16 Março 2022

Os líderes chineses estão a tentar impulsionar o crescimento económico, que caiu para 4%, no último trimestre de 2021, em comparação com a expansão de 8,1% para o ano inteiro.

O Governo chinês tentou esta quarta-feira tranquilizar os investidores com a promessa de mais apoio ao setor imobiliário, empresas do setor digital e empresários em dificuldades, depois de as firmas do país registarem fortes perdas em bolsa.

Os reguladores devem emitir políticas favoráveis ao mercado para “revigorar a economia”, disseram as autoridades, numa reunião liderada pelo vice-primeiro-ministro Liu He, o principal conselheiro económico do Presidente Xi Jinping, segundo a agência noticiosa oficial Xinhua.

Os líderes chineses estão a tentar impulsionar o crescimento económico, que caiu para 4%, no último trimestre de 2021, em comparação com a expansão de 8,1% para o ano inteiro. Isto foi desencadeado por um colapso na construção e nas vendas de imóveis, depois de Pequim ter restringido o acesso do setor ao crédito.

Surtos recentes de covid-19 levaram também à imposição de medidas de confinamento em importantes cidades costeiras do país, suscitando preocupação sobre o impacto para o setor manufatureiro e vendas a retalho. O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse na semana passada que o Governo espera gerar até 13 milhões de novos empregos, este ano, para ajudar a reverter uma crise económica dolorosa, mas que enfrenta “muitas dificuldades e desafios”.

Analistas dizem que o Partido Comunista provavelmente terá dificuldades para cumprir a sua meta oficial de crescimento económico, de 5,5%, a menor desde a década de 1990.

Os principais índices das praças financeiras de Xangai e Hong Kong caíram mais de 10% este ano. A adoção de regulamentos mais rígidos para as indústrias do setor digital e o risco de várias firmas chinesas perderem o acesso ao mercado de capitais norte-americano, face ao crescente escrutínio de Washington, levaram a fortes quedas em bolsa.

Os preços das ações de algumas empresas, incluindo o gigante do comércio eletrónico Alibaba Group, caíram cerca de 50%, nas bolsas de valores, desde o início do ano passado, depois de terem sido atingidas por investigações antimonopólio.

Liu “falou visando impedir a queda no mercado de ações”, afirmaram Larry Hu e Xinyu Ji, do grupo de serviços financeiros Macquarie Group, num relatório. “O tom da reunião é forte, sugerindo que os formuladores de políticas estão profundamente preocupados com o recente colapso do mercado”, apontaram.

A reunião do comité de estabilidade financeira do Conselho de Estado prometeu “medidas de apoio” para o mercado imobiliário, disse a Xinhua, embora não tenha dado detalhes. As vendas do setor imobiliário, que sustenta milhões de empregos, afundaram no ano passado. As autoridades prometeram coordenar mais de perto as políticas que afetam os mercados financeiros e agir com cautela na execução de qualquer medida que possa abalá-los.

O Governo “promoverá o desenvolvimento” das indústrias da internet e melhorará a sua competitividade, disse a Xinhua, sem dar detalhes. Pequim “vai continuar a apoiar a entrada das empresas chinesas nos mercados de ações no exterior”, informou a mesma fonte.

Segundo a Xinhua, os reguladores chineses e norte-americanos estão a ter um “bom diálogo” sobre os mercados de ações e a trabalhar num plano de cooperação, após disputas sobre requisitos de auditoria que levaram a uma ameaça de expulsar algumas empresas chinesas das bolsas norte-americanas.

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