Angolana ENSA desce lucro 64% no último ano antes da privatização

  • António Ferreira
  • 17 Abril 2022

Seguradora angolana cresceu 16% em volume bruto de prémios, beneficiou da redução de sinistros e continuou a reforçar capital próprio no ano em que falhou o calendário da 1ª fase de privatização.

ENSA, maior companhia no mercado angolano de seguros em volume de negócio, apresentou resultados relativos a 2021, anunciando “desempenho positivo na generalidade dos indicadores,” nomeadamente “aumento dos prémios brutos emitidos, redução dos sinistros e da taxa de sinistralidade, diminuição da despesa e aumento do ativo”.

A Ensa – Seguros de Angola SA fechou o último exercício com um resultado (antes de impostos) que ascendeu a 9,3 mil milhões de kwanzas (cerca de 14,6 milhões de euros ao câmbio de 31/12/2021). Depois dos impostos (cujo montante mais que decuplicou face ao exercício anterior), o lucro apurado cifrou-se em 6,32 mil milhões de kwanzas, em queda anual de 64%. Além de maior peso na parcela fiscal, o resultado reflete ainda agravamento significativo no resultado de resseguro cedido, custos que foram parcialmente compensados pela descida da taxa de sinistralidade.

Num ano em que também cedeu alguma quota de mercado (passando de 37% em 2020 para 34% em 2021), o volume de prémios brutos emitidos ascendeu a 97,77 mil milhões de kwanzas (cerca de 153,8 milhões de euros), um incremento de 16% comparativamente com a produção de seguro direto no anterior, mas a desacelerar face ao aumento de 33% reportado em 2020 (face a 2019).

Entre os ramos de maior significado operacional, seguros Saúde, Petroquímica, Acidentes de Trabalho e Automóvel representam 89,3% do total dos prémios brutos emitidos. Em variação anual, o seguro Petroquímica cresceu 12,5%: Saúde progrediu 14%, “mantendo o peso de 39% no total de prémios brutos,” enquanto Automóvel registou um “crescimento expressivo de 36,1%” e o seguro de Acidentes de Trabalho apresentou “um crescimento menor, mas mantendo o peso de 11% na estrutura dos prémios brutos emitidos.”

O desembolso em indemnizações ascendeu a 39,1 mil milhões de kwanzas, menos 15% do que em 2020, com declínio de aproximadamente 46% em petroquímica, descendo mais de 56% em Automóvel e a subir 68% em Saúde. O resultado técnico de seguro direto apurado foi de 54,9 mil milhões AOA (kwanza) contra 33,5 mil milhões em 2020.

A margem de solvência, agora calculada em 160%, recuou 55pp face aos 213% apresentados ano anterior, mas está “significantemente acima dos limites regulatórios,” refere a seguradora estatal angolana.

O ativo bruto da empresa totaliza 198,01 mil milhões de kwanzas, praticamente estabilizado face a 2020, enquanto o capital próprio aumentou 17%, para 44,83 mil milhões, reforçado em dobro (114%) nos últimos 2 anos. Esperando ainda por concretizar a primeira fase de privatização, que estava prevista ser no ano passado, a seguradora que se mantém sob controlo direto do Estado terminou 2021 com 552 colaboradores, contando com 28 agências (no canal direto) distribuídas pelas províncias do país, 102 parcerias; 118 mediadores, 30 corretores, um call center com 10 operadores.

Numa breve referência às perspetivas para 2022, o documento divulgado no website da companhia resume: “Mudança para a nova sede; Reformulação digital; Lançamento de novos produtos”.

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