BCP quer melhor partilha de informação sobre ciberameaças na banca

Administradora do BCP defende que "há muito a fazer" para melhorar a partilha de informação sobre padrões e ameaças informáticas na banca. Comunicação hoje em dia é "muitas vezes informal", revelou.

Diz-se que na cibersegurança não existem concorrentes: idealmente, todos os players de um setor trabalhariam em conjunto para mitigar o risco e combater as fraudes. Para a administradora do BCP Maria José Campos, isto é algo que tem de melhorar no setor bancário, com uma comunicação mais organizada e partilha de informação sobre padrões e ameaças.

“Há caminho a fazer” na “comunicação entre bancos”, disse Maria José Campos esta segunda-feira, numa conferência do Banco de Portugal, onde salientou que essa comunicação “muitas vezes é informal”. A responsável aproveitou a presença de figuras ligadas ao setor financeiro e à área dos pagamentos para apelar a uma “partilha estruturada de novos padrões”, um apelo secundado pelo Banco de Portugal e pela Polícia Judiciária.

A administradora sinalizou que existe agora uma maior preocupação com a cibersegurança na banca, apesar de defender que a proteção “não é uma função só dos bancos”, pois passa também pelo fomento da literacia digital dos cidadãos. O risco de ciberataque de ransomware é até capaz de tirar o sono, admitiu, não pelo pedido de resgate que os burlões fazem pela informação que é cifrada, mas pelo caráter destrutivo deste tipo de incidentes.

Assim, Maria José Campos reiterou que o setor deve “partilhar informação e as melhores práticas”, algo que poderia ajudar a mitigar o risco e combater o cibercrime. “Nesta área, há ainda muito a fazer”, reafirmou.

Também o Banco de Portugal apelou à colaboração no setor. Carlos Moura, diretor do departamento de sistemas e tecnologias de informação do banco central, disse que “esta não é uma matéria concorrencial”, apelando à “cooperação entre entidades públicas e privadas” e autoridades. “A ação colaborativa é determinante. A colaboração é crítica e essencial”, disse o responsável.

O pedido da administradora do BCP e do Banco de Portugal foi ainda ressalvado pelo diretor nacional da Polícia Judiciária. Indicando que “há matérias em que não há competitividade”, Luís Neves elencou situações em que a partilha ajudou as autoridades no combate à criminalidade no passado, pelo que é necessária “partilha antecipada, partilha com a comunidade, partilha de boa-fé e desinteressada”, elencou.

Este tipo de partilha de informação tem vindo a acontecer noutros setores. No início do ano, quando um ciberataque derrubou as operações da Vodafone em Portugal, a operadora admitiu que estava em contacto com as empresas concorrentes. Estas, aliás, terão disponibilizado infraestrutura para ajuda na recuperação da empresa.

“Criou-se a tempestade perfeita” em 2021

Na mesma ocasião, o administrador do Banco de Portugal com a pasta dos pagamentos alertou que os riscos de cibersegurança “aumentaram bastante” em 2021, ano em que se formou uma “tempestade perfeita”. Apesar de os portugueses ainda recorrerem de forma significativa às moedas e notas, o ano passado ficará para a História como aquele em que o digital passou a ser “rei”, disse Hélder Rosalino, num evento promovido pelo supervisor.

“Ainda somos um país com utilização muito significativa de numerário”, começou por dizer o responsável, mas o setor dos pagamentos assistiu a “alterações muito significativas”, aceleradas pela chegada da Covid-19. Para dar uma ideia da dimensão do problema, Hélder Rosalino citou dados internacionais para indicar que se estimam perdas globais de 266 mil milhões de euros nos próximos cinco anos com fraudes nos meios de pagamento.

Em 2021, o sistema financeiro português registou uma retoma do crescimento dos pagamentos, acima dos níveis registados em 2019. Em concreto, os pagamentos online duplicaram face a 2019 e com a maior utilização veio o aumento do número de tentativas de fraude, que terão triplicado, de acordo com dados da Feedzai citados pelo administrador.

(Notícia atualizada às 17h27 com mais informação)

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história e às newsletters ECO Insider e Novo Normal.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

BCP quer melhor partilha de informação sobre ciberameaças na banca

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião