Petrolíferas acusam Governo de criar “falsas expectativas” sobre os preços

Apetro diz que suspeição face ao setor "não é justa". António Comprido defende que se "criaram falsas expectativas" das descidas, já que o Governo não teve em conta a oscilação do preço.

Com a descida do ISP, o primeiro-ministro pediu para os portugueses olharem “com atenção para a fatura” para certificar que o “desconto é mesmo aplicado” nos postos de abastecimento. A Associação Portuguesa De Empresas Petrolíferas (Apetro) diz lamentar que esta desconfiança seja expressa, nomeadamente porque o setor é “altamente escrutinado”. O secretário-geral da associação diz também que se “criaram falsas expectativas” com os valores anunciados pelo Governo, que não tinham em conta a subida do preço do petróleo nos mercados internacionais.

“Lamentamos que essa desconfiança seja expressa porque o setor é altamente escrutinado, está sujeito à supervisão de vários órgãos”, salienta António Comprido, secretário-geral da Apetro, ao ECO, acrescentando que a Autoridade da Concorrência também já fez estudos e nunca nada foi detetado. Assim, “não se justifica a desconfiança”, reitera.

António Comprido indica também que a associação não vê com bons olhos as declarações do primeiro-ministro, porque “têm uma suspeição implícita que não é justa para o setor”. Além disso, a Apetro refere que a baixa de impostos é bem-vinda, sendo que já defendem há algum tempo que “é a única maneira de conseguir compensar alta de preços”.

A Apetro diz também não ter dúvidas de que a descida do ISP se vai refletir nos preços. Por agora, verifica-se que os preços médios do gasóleo e gasolina nesta semana baixaram entre 9 a 10 cêntimos por litro, enquanto o Governo tinha anunciado descontos de 14 e 15 cêntimos.

"Criaram-se falsas expectativas ao não ter em conta subida do preço [nos mercados internacionais], existindo ainda o efeito em termos do preço médio.”

António Comprido

Apetro

Quanto à discrepância entre a dimensão da descida anunciada pelo Governo e aquela verificada através dos preços médios comunicados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o secretário-geral explica que “criaram-se falsas expectativas ao não ter em conta a subida do preço” nos mercados internacionais, existindo ainda um efeito em termos do preço médio que aparece nos sites oficiais “devido a atraso na comunicação”.

No comunicado de sexta-feira, o Governo anunciou o desconto adicional do imposto de 14,2 cêntimos por litro de gasóleo e 15,5 por litro de gasolina, mas não fez qualquer referência à evolução dos preços no mercado internacional. É também de sinalizar que se registou um agravamento da subida dos preços do Brent do Mar do Norte nesse dia, face a quinta-feira.

“Podia-se anunciar a descida, mas há que contar com outros fatores e um deles é o preço nos mercados internacionais“, começa por apontar António Comprido. Face à média da semana passada, “tivemos uma subida devido ao aumento das cotações mas também pela desvalorização do euro face ao dólar”, que se traduziu em 3,4 cêntimos por litro na gasolina e 2,8 cêntimos no gasóleo. Tal “atenuou o efeito da descida do ISP”, já que “o produto custou mais”, explica.

"Não há nada de anormal, não há qualquer aproveitamento das margens, há fatores que influenciam.”

António Comprido

Apetro

Além disso, quando se olha para o valor médio da DGEG “é preciso ter em conta que há algum atraso na comunicação das alterações de preços”, aponta, pelo que “amanhã no site vamos ver valor inferior e no dia a seguir ainda inferior”. “Não há nada de anormal, não há qualquer aproveitamento das margens, há fatores” que influenciam o preço, assegura.

Quanto à ação individual das gasolineiras, por exemplo através de descontos, António Comprido aponta que “é responsabilidade de cada companhia, mas há grande concorrência no mercado e as companhias estão atentas e todas tentaram agir no sentido de proteger quotas”.

A Prio, por exemplo, “aumentou o seu desconto no preço dos combustíveis em 2 cêntimos por litro, com o objetivo de amplificar o esforço empreendido pelo Governo com a redução do ISP desde o início de abril”, como nota o CEO Pedro Morais Leitão, ao ECO. “Este desconto adicional não está dependente da adesão a um cartão, uma aplicação ou outra qualquer condição”, garante.

Já a Galp tinha já sinalizado ao ECO que todas as semanas ajusta o preço tendo em conta as cotações médias do gasóleo e da gasolina, com base no fecho das cotações Platts de sexta-feira, em euros, acrescidas do sobrecusto da incorporação obrigatória de biodiesel. Mas sobre o preço existem várias campanhas e promoções, sendo que, por exemplo, a Galp ofereceu um desconto adicional de 6 cêntimos por litro de combustível através da App Mundo Galp durante o mês de abril.

O secretário-geral da Apetro também aponta que a associação tem conhecimento de que “muitas ações têm sido tomadas com as empresas e com clientes diretos ou descontos extra no sentido de ajudarem a mitigar crise que estamos a viver com a alta de preços”. “Apenas olhamos para o preço no pórtico”, mas cerca de 80% não é vendido pelo preço anunciado, indica, já que “há descontos variados praticados pelos operadores”.

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