Baga ganha “amigo” Vadio e dia internacional na Bairrada

Sai António Rocha (Palace do Bussaco), entra Luís Patrão (Vadio Wines). Baga Friends continuam sete e festejam com nível “mundial” uma década a reabilitar esta controversa casta bairradina.

Uma década depois de se juntarem para tentar travar o abandono daquela que era a casta tinta predominante da Bairrada, mas que começava a ser preterida pelas chamadas “castas voadoras”, sobretudo provenientes de França, este grupo de conhecidos produtores de vinho da região acaba de proclamar o terceiro sábado do mês de maio como o Dia Internacional da Baga.

Em declarações ao ECO, Luís Pato reclama que “os Baga Friends é que inverteram a imagem que esta casta tinha”. “Não só fora, mas sobretudo na Bairrada. Era muito mal vista, de esguelha por muitos bairradinos. Sobretudo os intelectuais, os que sabem de tudo [risos]”, completa o mais famoso produtor da região, recordando que a primeira apresentação deste movimento aconteceu com vinhos de 2011 na embaixada portuguesa em Londres.

Antigamente, a baga era ácida, tânica e não prestava. Agora é ‘uma coisa’, é o máximo. É elegante, acompanha bem a comida.

Luís Pato

Produtor de vinho da Bairrada

Volvida uma década, aquela que antes era privilegiada pelos viticultores porque a cepa da baga dá bastante uva – “era uma questão de sobrevivência” –, tornou-se “uma casta de classe mundial”. O porta-voz volta a socorrer-se do sarcasmo: “Foi bem olhada pelos sommeliers lá de fora e depois os de cá também gostaram. As coisas em Portugal são assim: tudo o que vem de fora é melhor. Antigamente, a baga era ácida, tânica e não prestava. Agora é ‘uma coisa’, é o máximo. É elegante, acompanha bem a comida”.

Embora tenham sido arrancados muitos nas últimas décadas, a baga ocupa 8.258 hectares em território nacional (4% do total da área plantada). E a maior área está “de longe” na Bairrada, embora atualmente dominem ali algumas castas brancas É a sétima mais utilizada na produção de vinho em Portugal e, agora “trabalhada de outra forma, na vinha e na adega”, no estrangeiro tem os maiores apreciadores em mercados como o Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Brasil e Canadá. No caso dos bairradinos, a maior aposta passa por utilizá-la para espumantes.

Quinta do Moinho (Luís Pato), na Bairrada

“A Bairrada tem umas condições climáticas que não permitem produções muito elevadas de baga para vinho tinto. Para espumante pode produzir muito, mas para tinto não pode ir além de três ou quatro toneladas por hectare. Portanto, nunca pode ser barato. Se aparecer um barato, como o Continente e o Pingo Doce costumam pedir, é porque não é baga porque o custo é superior”, explica Luís Pato. Para ser um DOC Bairrada Clássico – os vinhos de maior qualidade na região – esta casta tem de construir, pelo menos, 50% do lote.

Quem são os Baga Friends?

Além de Luís Pato e da filha Filipa, o grupo dos Baga Friends inclui Mário Sérgio Nuno (Quinta das Bágeiras), Paulo Sousa (Sidónio de Sousa), François Chasans (Quinta da Vacariça) e Dirk Niepoort (Quinta de Baixo). E junta-se agora Luís Patrão (Vadio Wines), que substitui António Rocha (vinhos Alexandre de Almeida – Hotel Palace do Bussaco) depois de o próprio ter pedido a exclusão deste grupo de amigos por ter deixado de produzir vinho DOC Bairrada.

Da esquerda para a direita: Filipa Pato, Luís Pato, William Wouters (marido de Filipa), Dirk Niepoort, Mário Sérgio, François Chasans e Paulo Sousa

O enólogo natural da Bairrada divide o tempo entre o projeto fundado em 2005 com a esposa Eduarda Dias, que tem seis hectares de vinha na aldeia da Poutena, e o Alentejo — trabalhou durante 13 anos para a Herdade do Esporão e é atualmente diretor de enologia na Herdade de Coelheiros. E é já no próximo fim de semana que se estreia nas ações de promoção deste grupo de produtores, que faz questão de continuar a usar muitos dos processos tradicionais, a que acrescentaram melhorias como a redução voluntária de rendimento da videira, por forma a obterem mais colheitas de exceção.

A gestora Eduarda Dias e o enólogo Luís Patrão fundaram em 2005 o projeto Vadio, na aldeia da Poutena

No primeiro dia das celebrações, a 20 de maio, os participantes podem escolher entre um dos cinco eventos programados: quatro jantares temáticos ou a exibição de um documentário. No sábado, 21 de maio, o evento decorre em simultâneo nas adegas dos produtores, em que os vinhos estarão em prova. O passe diário custa 40 euros e dobra o preço na versão VIP, que inclui uma garrafa (no valor de 50 euros) de um vinho especial de um dos membros do grupo, assinada pelo próprio produtor.

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