Seguros têm mercado para mais 1.341 mil milhões de euros

  • ECO Seguros
  • 3 Julho 2022

O índice de resiliência 2022 do grupo Swiss Re regista uma recuperação da proteção seguradora em 2021, podendo voltar-se este ano a níveis pré-pandemia.

Apesar da resiliência dos seguros ter recuperado em 2021, o que se ficou sobretudo a dever à forte melhoria da resiliência na área da saúde, a resiliência geral é ainda inferior à verificada antes do embate da pandemia de Covid-19 e da crise financeira global. A lacuna de proteção, que conjuga os riscos de saúde, mortalidade e catástrofes naturais, aumentou marginalmente, atingindo um novo recorde de 1.420 mil milhões de dólares no último ano (1.341 mil milhões de euros), revela o índice de resiliência 2022 do instituto da Swiss Re.

Embora a proteção concedida por produtos de seguros ainda demonstre um crescimento significativo este ano, a redução nos benefícios governamentais e a quebra no valor dos ativos são fatores de “corrosão” da resiliência seguradora, adianta o relatório. Há a acrescentar que a subida da inflação em 2022 se pode traduzir num aumento de 3,8% na lacuna global da proteção por seguros, apurada para 2021.

“A recuperação cíclica da resiliência macroeconómica e de seguros em 2021 não pode esconder o fato de que ainda são necessárias profundas reformas estruturais para impulsionar o crescimento de longo prazo. Para garantir maior resiliência e apoiar a estabilidade económica de longo prazo, parâmetros estruturais como infraestrutura e capital humano precisam de ser fortalecidos e a desigualdade reduzida”, considera Jerome Jean Haegeli, economista-chefe do grupo Swiss Re.

O relatório sobre o índice de resiliência para este ano do grupo segurador suíço, intitulado “Índice de Resiliência 2022: riscos para a resiliência novamente em alta após um ano de pausa”, acentua que “a economia mundial recuperou a resiliência macroeconómica em 2021, beneficiando da recuperação cíclica da crise do Covid-19 e do aumento das taxas de juros de longo prazo ao longo do ano. No entanto, estimamos que a resiliência perdida na crise da Covid-19 de 2020 só será recuperada este ano, e que qualquer deterioração económica nos próximos meses pode atrapalhar a recuperação”.

Os analistas do Instituto Swiss Re observam que a recuperação da resiliência no plano macroeconómico foi, em 2021, apoiada em fortes melhorias no espaço fiscal, embora as economias avançadas tenham obtido menos ganhos no domínio da política monetária. “Indicadores macroeconómicos estruturais, como o capital humano e a eficiência do mercado de trabalho, continuam a pesar na resiliência, principalmente nos mercados emergentes. Estimamos que, este ano, os ventos favoráveis ​​da economia cíclica apoiarão ainda mais o espaço fiscal, enquanto a ação dos bancos centrais para domar a persistente inflação expandirá o espaço da política monetária”.

Em 2021, o índice de resiliência macroeconómica situou-se em 0,5 a nível global, com os países avançados a registarem uma pontuação de 0,58 e os emergentes de 0,41. Portugal, entre os países avançados, regista um índice de resiliência macroeconómica baixo (0,45), posicionando-se em 25ª lugar no ranking respeitante a este grupo de países. Atrás de Portugal figuram a Hungria, México, Itália, Brasil, Turquia e Grécia.

O índice de resiliência para os seguros tem em vista avaliar como os seguros ajudam as pessoas, famílias e organizações a resistir a cenários de choque em três áreas essenciais: catástrofes naturais, mortalidade e saúde. Para a Swiss Re “indexar a resiliência e medir o quanto a sociedade está preparada para enfrentar riscos crescentes pode ajudar os formuladores de políticas a reduzir a exposição a desafios como a desaceleração da economia, o aumento da dívida nacional, as mudanças climáticas e a pressão sobre os recursos naturais”.

As lacunas de proteção identificadas relacionam a proteção disponibilizada e a disponível, refletindo o índice a medida de proteção existente, a qual varia entre 0 e 100, correspondendo os valores mais elevados a um maior nível de proteção.

O índice de resiliência macroeconómica classifica os países em relação a um espetro amplo de variáveis, procurando “oferecer uma avaliação mais holística da saúde económica” que a fornecida pela evolução do produto interno bruto (PIB).

O Swiss Re Institute tira proveito do conhecimento de risco acumulado pela Swiss Re para produzir investigação orientada por dados recolhidos no grupo e junto de organizações parceiras.

O Swiss Re é um dos maiores grupos seguradores mundiais, tendo comercializado, no primeiro trimestre deste ano, em termos consolidados, prémios líquidos e tarifas no valor de 10 620 milhões de dólares (cerca de 10 mil milhões de euros).

Com sede em Zurique, marca presença em todos os continentes, operando em 12 países da Europa, Médio Oriente e África, oito da região da Ásia e Pacífico e cinco das Américas.

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