Exclusivo Gestor da Ascendi vai suceder a Casalinho no IGCP

Miguel Martin é gestor na concessionária Ascendi, depois de passar pela Águas de Portugal, e vai liderar a agência de gestão da dívida pública portuguesa. Casalinho sai já esta semana.

O ministro das Finanças já escolheu o sucessor de Cristina Casalinho à frente do IGCP, a entidade que gere a dívida pública nacional. Miguel Martin, atualmente na concessionária de autoestradas Ascendi, foi administrador financeiro da Águas de Portugal entre 2016 e 2019, período em que coincidiu com o secretário de Estado João Nuno Mendes quando era presidente daquela empresa pública. O nome já foi enviado para a Cresap, e aguarda a aprovação daquela comissão, mas entretanto, Casalinho sai já de funções no final desta semana.

No perfil de LinkedIn, o gestor assume-se como um “financeiro orientado para o negócio”, e com experiência em ‘project finance’, gestão de projetos e relações com reguladores e agências públicas. Ainda assim, não tem no CV experiência em entidades do setor público, embora tenha coordenado, depois de sair da Águas de Portugal, coordenou uma equipa de trabalho no Ministério das Finanças sobre mercado de capitais e financiamento empresarial.

Oficialmente, o Ministério das Finanças escusou-se a fazer comentários sobre esta escolha, mas uma uma fonte do Governo afirmou ao ECO que Fernando Medina valorizou, nesta escolha, a experiência como administrador financeiro e em setores regulados, como a energia, a banca e água.

O ministro das Finanças já definiu os objetivos para o gestor que sucede a Cristina Casalinho, o mais importante dos quais posicionar a dívida pública nacional como um ativo atrativo para os investidores, prosseguindo, em simultâneo, a estratégia de melhoria da notação de rating da República. Por outro lado, Miguel Martin tem a incumbência de inovar em instrumentos de dívida alinhados com novas tendências, como as emissões ‘verdes’, mas também tem o objetivo de otimizar a relação com o cliente de retalho, isto é, com os particulares que investem em títulos de dívida pública.

Com formação académica pela Universidade Católica de Lovaine, na Bélgica, Miguel Martin vai assumir as funções de presidente do IGCP num momento particularmente crítico. Portugal é o terceiro país da zona euro com o maior peso dos juros pagos no PIB em 2021, e com a guerra na Ucrânia e a anunciada subida dos juros do BCE , o custo das emissões de obrigações iniciou numa tendência de subida. As emissões a dez anos passaram os 2% e mesmo as de curto prazo passaram a terreno positivo. Em entrevista recente ao ECO, Cristina Casalinho desdramatizou esta evolução. “Estamos preparados para a subida de taxas de juro”, respondeu. “Estamos preparados para a subida de taxas de juro, visto nos últimos anos se ter procedido ao aumento da maturidade média da emissão de obrigações de médio e longo prazo, de modo a beneficiar de taxas de juro baixas durante o período de tempo o mais longo possível”, explica a gestora da dívida pública em declarações ao ECO.

Cristina Casalinho está há dez anos no IGCP, nos primeiros dois como vice-presidente de João Moreira Rato e depois, a partir de 2014, como presidente. Na altura em foi nomeada pelo executivo de Pedro Passos Coelho, com Maria Luís Albuquerque como ministra das Finanças. O seu mandato foi renovado já com o Governo do PS em funções, mas Casalinho já tinha comunicado ao ministro das Finanças a sua indisponibilidade para manter-se em funções. Recentemente, em entrevista ao Observador, Casalinho explicava a sua decisão: “Dez anos é muito tempo, a instituição precisa de gente nova, com novos olhos, é saudável” que exista uma substituição, diz a presidente do IGCP. A economista afirmava que “foi muito enriquecedor todo o tempo que estive no IGCP – foi muito estimulante, em alguns momentos com bastante adrenalina“. A sua saída está prevista para o final da semana, e no entretanto, até à tomada de posse da nova equipa, o IGCP será liderado por uma atual vogal, António Pontes.

Na equipa de Miguel Martin estarão também Rui Amaral, que vem da CGD BI, com 20 anos de experiência em banca de investimento e mercado de capitais, e responsável em múltiplas operações de emissão de dívida de alguns dos maiores emitentes nacionais (EDP, REN, GALP, NOS, Brisa, CGD, Fidelidade, República Portuguesa e outros).

Já Rita Granger transita da atual equipa de Cristina Casalinho. Vogal do IGCP desde 2019, está há cerca de 20 anos no IGCP, tendo coordenado várias das áreas como a de Gestão de Risco e de Mercado, bem como a equipa de Controlo Financeiro.

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