Prémios europeus retomam níveis anteriores à pandemia

  • ECO Seguros
  • 17 Julho 2022

A federação europeia de seguradores, a Insurance Europe, revela, nas suas estatísticas preliminares sobre 2021, que as vendas cresceram acima dos níveis anteriores à pandemia.

Na maioria dos mercados seguradores europeus, o volume total de prémios cresceu em 2021 em relação ao ano pré-pandemia, 2019, em linha com a recuperação da economia europeia no último ano, refere a federação europeia de seguradores, a Insurance Europe, de que a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) é membro, nas suas estatísticas preliminares respeitantes ao último ano. As vendas cresceram acima dos níveis anteriores à pandemia na maior parte dos 27 mercados analisados.

A maior recuperação verificou-se no ramo Vida, com os prémios a voltar, em muitos mercados, aos seus níveis “normais” e os produtos unit-linked (vinculados a fundos) a liderar o crescimento.

O negócio Vida foi significativamente afetado pela pandemia e registou em 2020 uma quebra nas subscrições de novos prémios. Ora, os números preliminares respeitantes a 2021 mostram uma clara recuperação de vários mercados europeus no ramo Vida, com destaque para o mercado português, em que o total dos prémios cresceu 69,5%, muito devido à dinâmica dos produtos unit-linked (ligados a fundos de investimento). Também em França se registou uma forte subida do volume de prémios (27% de crescimento), assim como na Suécia ou na Noruega, com um crescimento nas vendas de 4% e 28% respetivamente. Já Espanha apresenta uma recuperação mais moderada nos prémios do ramo Vida (8%), mantendo-se ainda o mercado bastante abaixo de 2019.

Na Itália, Roménia, Bélgica e Grécia a linha de negócio Vida evoluiu, igualmente, de forma positiva, com grande protagonismo dos seguros financeiros ligados, sendo que no Reino Unido os prémios dos produtos de proteção Vida atingiram um novo recorde em 2020 (1,3 biliões de libras ou 1,5 biliões de euros).

Todavia o mercado alemão registou uma quebra nos prémios Vida e o austríaco ficou-se por um crescimento magro: apenas 0,6%. O que poderá já estar relacionado com o efeito negativo sobre as poupanças dos consumidores do aumento dos custos de energia e da inflação, sobretudo na ponta final do ano.

A Insurance Europe alerta que a conjugação de baixas taxas de juros e elevada inflação coloca novos desafios às seguradoras do ramo Vida.

Também o ramo Não Vida recuperou com a reabertura das economias. Os números preliminares mostram que vários mercados registaram um crescimento positivo nos ramos saúde, acidentes pessoais e propriedade (P&C) em 2021. No entanto, como se trata de linhas de negócio muito expostas à inflação, o crescimento verificado também pode significar que o aumento do custo de bens e serviços já começou a afetar o valor dos prémios.

Seguros de saúde

No que respeita, em particular, à evolução dos prémios de seguros de saúde, os números preliminares de 2021 apontam para o seu crescimento continuado em muitos países europeus. Uma das razões deste crescimento foi a Covid-19, que realçou a importância dos seguros de saúde privados enquanto complemento dos regimes públicos de saúde. Outra razão subjacente ao aumento dos prémios foram os custos crescentes dos serviços médicos, que, aliás, os prémios têm de acabar por refletir. Portugal foi o 7º mercado europeu no que respeita ao crescimento dos prémios associados a seguros de saúde.

A Insurance Europe assinala que inflação afeta o setor de seguros de várias maneiras, assistindo-se ao aumento dos custos de sinistros, que eventualmente ditam prémios mais elevados. Os efeitos inflacionistas já se fizeram notar em 2021 nos seguros automóvel e de propriedades, como sugerem os números preliminares de alguns mercados. O seguro de saúde também é sensível à subida da inflação, uma vez que é afetado pelo aumento das despesas médicas.

Espera-se também que a inflação elevada afete a capacidade de muitas pessoas em comprar certos produtos e serviços. O que se poderá fazer sentir principalmente no ramo Vida, com alguns segurados a decidirem reduzir as suas poupanças a longo prazo. Em contrapartida, o aumento das taxas de juros em resultado da subida da inflação é positivo para o ramo Vida.

 

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