BRANDS' ECO Gerir de propósito para o impacte: um caminho para uma verdadeira sustentabilidade

  • ECO + EY
  • 28 Julho 2022

Luís Amado, responsável pelo movimento B Corp em Portugal, fala da importância do propósito das empresas e de como a sustentabilidade é essencial para a criação do impacte.

Propósito e sustentabilidade são palavras muito em voga, nomeadamente, na esfera da gestão, geralmente, envoltas numa diversidade conceptual que conduz a equívocos perigosos. Gosto de aproximações simples, que não necessariamente simplistas.

Utilizando este tipo de aproximação, atrevo-me a avançar que o propósito é a razão de ser. Se aplicarmos este conceito no universo das empresas, poderemos dizer que o propósito será a razão da existência de cada empresa, mas também aquilo que faz os seus colaboradores levantarem-se da cama para ir trabalhar todos os dias, o que faz os seus clientes quererem comparar os seus produtos e os seus parceiros querer trabalhar com ela, etc.

Luís Amado é responsável pelo movimento B Corp em Portugal e fundador da Less, Lda – fazer mais com menos.

Usando o mesmo tipo de aproximação, entendo que sustentabilidade é um sinónimo de durabilidade ou perenidade, o que, transposto para o universo da gestão empresarial, se materializará na preocupação em tomar as melhores decisões tendo em conta, não só os recursos actuais e locais, mas também o seu impacte nos recursos globais das gerações futuras. Sustentabilidade implica decisões tendo em vista o longo prazo e a globalidade, em que proclamamos viver, de uma forma integrada.

Já fiz a experiência de perguntar a salas cheias de quadros de empresas, quem sabe o propósito da sua empresa. Em média, apenas 10% levanta a mão. Quando peço para concretizarem qual o propósito, muitas vezes, a resposta é a referência aos últimos objectivos apresentados nas reuniões da empresa.

Sendo assim, a maioria dos colaboradores vai trabalhar sem saber para quê, sendo provável que tenha pouca vontade de sair da cama para trabalhar e tendo isso consequências sobre a sua produtividade.

Só com base na identificação do seu propósito será possível medir de forma objectiva o impacte que as empresas estão a criar.

Luís Amado

Responsável pelo movimento B Corp em Portugal

Mas não são só os colaboradores que não conhecem o propósito das suas empresas. Tal como os colaboradores, que, não sabendo o propósito irão trabalhar focados no salário, também muitos gestores me dizem que o propósito da empresa é ganhar dinheiro ou avançam uma missão pouco original que está escrita numa parede, num site, etc.

Quando lhes digo que, se o propósito é esse (ganhar dinheiro), então as empresas deverão ser muito pouco competitivas pois são iguais a muitas outras, já que não há factor diferenciador, ficam algo surpresos e indignados. Com algum trabalho e esforço conseguem identificar o seu verdadeiro propósito, que pode servir de suporte a decisões e posicionamento diário e, com isso, sentir uma clarificação da sua identidade e diferenciação.

Só com base na identificação do seu propósito será possível medir de forma objectiva o impacte que as empresas estão a criar. É que, não sabendo qual o objectivo da existência (propósito) não é possível medir, e logo gerir, a contribuição para esse objectivo, ou seja, qual o impacte da organização.

Não me parece possível que se possa gerir de forma sustentável sem um verdadeiro propósito diferenciador

Luís Amado

Responsável pelo movimento B Corp em Portugal

A medição do impacte surge assim como pilar para uma verdadeira gestão para a sustentabilidade, evitando os vários tipos de “washings”, uma vez que se baseia em medidas concretas.

Não me parece possível que se possa gerir de forma sustentável sem um verdadeiro propósito diferenciador, que sirva de suporte às decisões do dia a dia e como tal permita a medição e gestão do impacte das organizações.

Mas é possível gerir para uma verdadeira sustentabilidade identificando um verdadeiro propósito diferenciador e motivador que aumente a competitividade. É possível procurar medir de forma objectiva o impacte, nunca esquecendo que para criar impacte, é fundamental assegurar a existência. Logo a sustentabilidade é essencial para a criação do impacte, cada vez mais valorizado pelos clientes que, no fim do dia, são quem sustenta as empresas a longo prazo.

Nota: o autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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