BRANDS' PESSOAS Qualidade de vida: como manter um bem-estar laboral

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  • 21 Setembro 2022

Dados da Organização Mundial da Saúde revelam que doenças e acidentes de trabalho são a causa de cerca de dois milhões de mortes prematuras por ano.

O paradigma organizacional alterou-se muito nas últimas duas décadas e a pandemia veio acelerar, ainda mais, todas as mudanças emergentes. Organizações que não valorizam e invistam nos seus colaboradores hipotecam o seu presente e futuro. De todos os “fatores de produção”, visão tradicional, o Trabalho é, sem dúvida alguma, o elemento mais distintivo e diferenciador. O fator Humano nas organizações é a pedra basilar no sucesso e o principal elemento em todas as empresas bem-sucedidas.

As organizações que investem continuamente e estrategicamente no bem-estar, na satisfação e na saúde física e mental dos seus colaboradores, potenciam os seus resultados e contribuem para uma sociedade mais positiva e equilibrada. Nunca devemos esquecer que as organizações são parte integrante da sociedade e têm um peso muito relevante no seu funcionamento.

Pensar numa organização como entidade una e independente, sem perceber que faz parte de um ecossistema maior e bastante mais relevante, é manter uma posição autista e egocêntrica. Dinamizar, motivar, cuidar e respeitar os recursos humanos que integram, é papel fulcral de todas as organizações.

Organizações que não valorizam e invistam nos seus colaboradores hipotecam o seu presente e futuro.

Colaboradores doentes, desmotivados ou insatisfeitos são fatores de perda de produtividade nas organizações, mas, e em simultâneo, criadores de instabilidade e prejuízo social.

O impacto do absentismo e “presentismo” na produtividade

Muito se fala de absentismo e o custo que tal acarreta para as organizações, porem o custo do “presentismo” é bem superior. Sempre se analisou o absentismo e o impacto deste na perda de produtividade das organizações, a verdade é que o “presentismos” tem custos bem mais elevados. Para a psicologia organizacional, o presentismo corresponde à “perda de produtividade no local de trabalho quando os trabalhadores funcionam abaixo das suas capacidades devido a doença física ou mental”.

No seu recente relatório anual de inquérito sobre saúde e bem-estar no trabalho, no Reino Unido, o Chartered Institute of Personnel and Development (CIPD) encontrou provas de tendências pouco saudáveis no local de trabalho. O CIPD disse que 83% dos seus inquiridos tinham observado o presentismo na sua organização, e 25% disse que o problema se tinha agravado desde o ano anterior. Um estudo da seguradora de saúde Vitality, também no Reino Unido, descobriu que mais de 40% dos empregados disseram que o seu trabalho estava a ser afetado por problemas de saúde — um número que aumentou em um terço nos últimos cinco anos. Um artigo da Harvard Business Review, estima que o presentismo pode reduzir a produtividade individual em 1/3 ou mais, provocando prejuízos maiores que o absentismo.

Segundo o relatório “O Custo do Stress e dos Problemas de Saúde Psicológica no Trabalho, em Portugal”, da Ordem dos Psicólogos Portugueses, “a perda de produtividade devida ao absentismo e ao presentismo causados por stress e problemas de saúde psicológica pode custar às empresas portuguesas até €3,2 mil milhões por ano (três vezes mais do que custou a Ponte Vasco da Gama)”.

O presentismo está associado a vários outros problemas em ambiente laboral, tais como: aumento de erros e de acidentes, mais conflitos laborais, maior rotatividade, diminuição da motivação, menor compromisso e a nível organizacional degradação da imagem e reputação.

O diagnóstico

O diagnóstico correto e atempado, quer a nível individual, quer coletivo, é fulcral para uma atuação direcionada e efetiva. O primeiro passo é estudar um plano de ação que terá vertentes coletivas (organizacionais) e individuais (colaborador).

A consciencialização, a literacia em saúde e a disponibilização de ferramentas que permitam uma melhor gestão do bem-estar coletivo e previnam a degradação da saúde individual, são chaves para o sucesso organizacional.

Texto por Miguel Gouveia de Brito, CEO da TrueClinic

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