“Não é tempo da Rússia escalar o conflito”, diz Costa na ONU

  • ECO
  • 22 Setembro 2022

O primeiro-ministro, na Assembleia Geral da ONU, considerou que "as sanções à Rússia não podem afetar, direta ou indiretamente, a produção, transporte e pagamento de cereais e fertilizantes".

O primeiro-ministro português condenou a “agressão russa” e pediu uma investigação “independente, imparcial e transparente” aos crimes cometidos durante a invasão da Ucrânia, num discurso perante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque. António Costa reiterou o apoio de Portugal “à soberania, independência e integridade territorial da Ucrânia” num debate monopolizado pela guerra no leste das fronteiras europeias e as suas consequências.

Um dia depois de Vladimir Putin ter anunciado a mobilização parcial de 300 mil russos, o Chefe de Governo português disse que “este não é o tempo da Rússia escalar o conflito ou fazer irresponsáveis ameaças de recurso a armas nucleares”. Para Costa, o Kremlin deve “cessar as hostilidades e permitir a criação de uma diálogo sério e sustentado, orientado para o cessar-fogo e a paz”.

Numa intervenção em português, António Costa mostrou-se solidário “com todos aqueles que, em todo o mundo e em particular no continente africano, sofrem com os impactos da invasão da Ucrânia pela Rússia”. E, por isso, o primeiro-ministro considera que “as sanções à Rússia não podem afetar, direta ou indiretamente, a produção, transporte e pagamento de cereais e fertilizantes”. Depois de quase três anos de pandemia, Costa lembrou que “têm sido os mais vulneráveis aqueles que mais sentem o impacto da crise energética e alimentar”.

O líder português defendeu ainda uma reforma que torne o Conselho de Segurança permanente da ONU mais “representativo, ágil e funcional”, que reflita as mudanças desde que ONU foi criada e inclua “países africanos e, pelo menos, Brasil e Índia” – o Conselho de Segurança da ONU tem atualmente cinco membro permanentes, EUA, Rússia, França, Reino Unido e China, com direito de veto.

Portugal também quer ter um assento nessa mesa como membro não permanente. “Portugal está pronto também a dar o seu contributo. E por isso somos candidatos ao Conselho de Segurança no biénio 2027-2028 e esperamos uma vez mais merecer a vossa confiança”, disse, depois de ter intensificado os contactos para essa candidatura durante a 77.ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

O reforço do multilateralismo não é uma opção“, frisou o primeiro-ministro, para quem é “ tempo de passar das palavras à ação: com mais cooperação, mais solidariedade e mais multilateralismo. Portugal, como sempre, não faltará a esta chamada”.

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