Sonae lança OPA para retirar Sonaecom da bolsa

Cláudia Azevedo pretende retirar de bolsa a terceira empresa do grupo em três anos. Para isso, a Sonae compromete-se a pagar 2,5 euros por ação da Sonaecom, 25% superior à cotação de terça-feira.

A Sonae SON 0,05% pretende retirar a Sonaecom da bolsa nacional. Para isso, o grupo controlado pela família Azevedo anunciou esta quarta-feira uma Operação Pública de Aquisição (OPA) no valor de 2,5 euros por ação sobre 11,6% do capital que a Sonae não controla, refere a empresa num comunicado enviado à CMVM.

“A contrapartida oferecida é de 2,50 euros por ação, o que constitui um prémio de 25% face à cotação de ontem e de 32,6% face à média ponderada dos últimos seis meses”, refere a Sonae em comunicado, adiantando que o pagamento será feito em numerário.

Caso a OPA seja confirmada pela CMVM e depois aceite pelos acionistas, a Sonae terá de desembolsar cerca de 90 milhões de euros para passar a controlar a totalidade do capital da Sonaecom.

De acordo com a estrutura acionista da tecnológica, a família Azevedo detém 88,36% do capital da Sonaecom, através da Sonae SGPS e da sociedade holandesa Sontel.

A estrutura acionista da Sonaecom conta ainda com os norte-americanos da Discerene como acionista qualificado, que desde 19 de julho de 2019 deteem 2,79% do capital da empresa.

No caso de a OPA permitir ultrapassar uma participação de 90% dos direitos de voto, a Sonae revela que “recorrerá ao mecanismo de aquisição potestativa, resultando na exclusão da negociação das ações em mercado.”

Segundo a empresa liderada por Cláudia Azevedo, o objetivo da OPA passa por permitir “o controlo exclusivo” da Sonaecom pela Sonae e “permitirá uma maior eficiência e flexibilidade na gestão operacional dos negócios detidos pela Sonaecom e a exploração de novas oportunidades de desenvolvimento do seu portefólio”, refere a empresa em comunicado.

O anúncio de OPA surge após esta quarta-feira, às 13h27, a CMVM ter suspendido as ações da Sonaecom, numa altura em que os títulos subiam 3,5% e o volume de negociação situava-se bem acima dos valores médios registados nas últimas sessões.

Longo historial de saídas de empresas Sonae da Bolsa

A Sonaecom é liderada por Ângelo Paupério e está listada na bolsa nacional desde 31 de maio de 2000. No entanto, desde fevereiro de 2014 (após a OPA lançada pela Sonae no âmbito da fusão entre a Zon e a Optimus) que não faz parte do principal índice acionista da Euronext Lisboa (PSI).

Atualmente, a tecnológica gera mais de 70% do seu negócio além-fronteiras, maioritariamente através da prestação de serviços informáticos, além de ser dona do Público e deter uma participação de 26,07% do capital da NOS.

Não é a primeira vez que a família Azevedo retira uma das suas empresas do mercado de capitais. A última vez que isso ocorreu foi no ano passado com a Sonae Indústria.

Nessa altura, após a Efanor (holding da família) deter mais de 90% da empresa e deliberado a 28 de junho, em assembleia-geral, a intenção de adquirir a totalidade do capital da empresa, retirou a Sonae Indústria de bolsa.

No ano anterior, em 2020, foi a vez da Sonae Capital sair de bolsa. Em outubro, na sequência de uma OPA voluntária lançada pela Efanor depois de controlar mais de 90% da empresa, a Sonae Capital despediu-se da Euronext Lisboa.

A Sonaecom será assim a terceira empresa da família Sonae que Cláudia Azevedo retira de Bolsa, desde que assumiu a liderança da empresa em julho de 2018.

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