TAP pode mexer com ranking das companhias na Europa. Air France – KLM é a que mais cresce

Lufthansa é a maior dos três principais interessados na reprivatização, mas a IAG pode destroná-la no número de passageiros. O grupo franco-neerlandês teria o maior impulso.

A corrida à reprivatização da TAP tem à partida três interessados, que são também três pesos-pesados da indústria na Europa: Lufthansa, IAG e Air France – KLM. Protagonistas da consolidação do setor, olham para a companhia portuguesa como uma oportunidade para aumentar o mercado, ganhar volume e somar destinos. O grupo alemão é dos três o maior e mais valioso, mas a dona da British Airways e da Iberia pode superá-lo. A Air France – KLM é a que mais pode crescer.

Só depois de conhecidas as condições da reprivatização é que os diferentes interessados deverão assumir formalmente que estão na corrida, o que poderá acontecer ainda em setembro, segundo chegou a afirmar o ministro das Finanças, Fernando Medina. Enquanto o decreto-lei não chega, vão aquecendo os motores.

Quer o grupo IAG quer a Air France – KLM já contrataram assessores legais, financeiros e de comunicação para preparar o “ataque” à venda parcial do capital da TAP SA, que desde o final de 2021 é detida inteiramente pelo Estado. O ECO questionou a Lufthansa, mas não obteve resposta até à publicação do artigo.

O grupo alemão, que além da Lufthansa integra a Austrian Airlines, a Brussels Airlines, a Eurowings e a Swiss, é o que tem maior arcaboiço. No ano passado, transportou mais de 100 milhões de passageiros e até junho já somava 55 milhões. Comprando a TAP, deixaria ainda a maior distância os concorrentes.

 

Já para o IAG, detentor da British Airways, Iberia, Aer Lingus ou Vueling, a aquisição da companhia portuguesa significaria ultrapassar a Lufthansa neste indicador, chegando aos 108,5 milhões de passageiros, se assumirmos os valores de 2022. Nos primeiros seis meses deste ano, as operadoras do IAG transportaram 54,3 milhões de passageiros, já quase tanto como o grupo alemão.

Sendo mais pequena, a Air France – KLM é a que mais cresceria percentualmente: 16,5%, passando a somar 97 milhões de passageiros. Entre janeiro e junho deste ano transportou 44,3 milhões, o que adicionados aos 7,58 milhões da TAP a empurraria para perto das concorrentes (51,9 milhões).

A aquisição da TAP permitiria também reforçar a oferta dos três grupos na ordem dos 16% a 19%. Se a Lufthansa oferece o maior número de lugares para o atual verão IATA (83,15 milhões), que vai de 27 de março a 28 de outubro, quando se inclui a distância das rotas é o grupo IAG que salta para a frente. O dono da British Airways e Iberia disponibilizou 139 milhões de lugares-quilómetro (ASK, na sigla em inglês), o indicador mais usado pela indústria para aferir a capacidade, segundo dados da OAG Aviation.

Integrar a transportadora portuguesa no portefólio permitiria quer à Lufthansa quer à Air France – KLM, que é ainda dona da Transavia, ombrear com o IAG. Com um crescimento percentual de 19%, o grupo franco-neerlandês seria o mais beneficiado.

A constelação de companhias da empresa alemã destaca-se como tendo a maior frota de aviões. Ranking que a compra da transportadora portuguesa, limitada pelo plano de reestruturação e o aeroporto Humberto Delgado, não permite alterar. Fica, no entanto, patente que qualquer uma delas daria à TAP outro poder negocial no leasing das aeronaves.

Os dados não incluem a compra da Air Europa pelo IAG, num negócio de 400 milhões (80% do capital), mas que aguarda ainda a luz verde da Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, que abriu uma investigação aprofundada. A Lufthansa comprou uma posição minoritária (40%) na italiana ITA, que aguarda também luz verde regulatória.

A Lufthansa também sobressai no volume de negócios. No último exercício completo, registou 32,8 milhões de euros em receitas, bem acima dos concorrentes (ver gráfico abaixo).

A forte recuperação do volume de negócios face à pandemia, iniciada em 2022, prosseguiu no primeiro semestre deste ano e encurtou o fosso. O grupo alemão continua a liderar, com 16,4 mil milhões, mas seguido mais de perto pela Air France – KLM (14 mil milhões) e o IAG (13 mil milhões). A TAP ainda não divulgou os resultados do primeiro semestre, mas mais uma vez levaria a um maior nivelamento, caso o IAG ou o grupo franco-neerlandês vencessem a privatização.

Já quando se olha para a margem operacional nos primeiros seis meses deste ano, a Lufthansa (4,9%) surge como a menos rentável, face aos 9% das concorrentes. Os 414 milhões de lucros conseguidos entre janeiro e junho ficam também aquém dos 921 milhões da IAG, mas acima dos 260 milhões do grupo franco-neerlandês.

Ainda no plano financeiro, o dono da British Airways e Iberia é o mais endividado, com uma dívida líquida de 7,6 mil milhões, e o menos é a Air France – KLM, com 4,9 mil milhões. A alavancagem não é muito diferente: 1,2 vezes o EBITDA no grupo franco-neerlandês, 1,5 vezes na IAG e 1,7 vezes na Lufthansa.

A aquisição da TAP também poderá também vir a alterar o jogo de forças na bolsa. Lufthansa e IAG valem ambas mais de nove mil milhões de euros, com vantagem curta para o grupo alemão. Ambos muito abaixo da Ryanair, que chega aos 17,9 mil milhões de euros. A Air France KLM fica a uns distantes 3,6 mil milhões.

 

É com estes argumentos que os interessados na reprivatização da TAP se vão posicionar na corrida à próxima noiva do setor na Europa, . As rotas para o Brasil são o grande atrativo da companhia portuguesa, como tem sido sublinhado pelos concorrentes, mas também as ligações a África ou aos EUA.

O músculo operacional e financeiro será importante mas não decisivo num concurso onde o preço não será o único fator. A preservação da marca, do hub no aeroporto de Lisboa e das rotas serão também determinantes para a escolha, como já sinalizou o Governo.

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