Ações da Jerónimo Martins afundam 6,4% pressionadas por concorrência e margens na Polónia

Maior concorrência e menores margens na Polónia sobrepõem-se ao disparo dos lucros e das vendas em 2023. Ações chegaram a cair 9,5%.

As ações da Jerónimo Martins JMT 0,67% tombam esta quinta-feira 6,4%, castigadas pela perspetiva de maior concorrência e pressão nas margens na Polónia, com os analistas a salientarem que está é uma realidade que a própria retalhista admitiu na divulgação dos resultados de 2023.

Às 10h10, os títulos do grupo liderado por Pedro Soares dos Santos caíam 6,4% para 20,10 euros cada, tendo chegado a descer 9,48% no início da sessão.

“Com a Polónia a enfrentar comparáveis difíceis nos dois primeiros trimestres, uma continuação surpreendente da contração do volume/sortido em janeiro e um contexto competitivo que se tornou mais intenso, a Jerónimo Martins não pode excluir que a margem EBITDA possa sofrer mais pressão“, afirmaram os analistas da Jefferies, citados pela Reuters.

A Jerónimo Martins divulgou esta quarta-feira um disparo de 28,2% nos lucros líquidos para 2023, para 756 milhões de euros, com o EBITDA – resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações- a subir 17% para 2,2 mil milhões de euros.

A margem EBITDA, um dos principais critérios de avaliação de rentabilidade das retalhistas, deslizou de 7,2% em 2022, para 7,1% em 2023. Na Biedronka, lider do segmento discount no retalho alimentar na Polónia, essa margem foi de 8,5% (face a 8,8% em 2022), com a evolução “a refletir o investimento em preço, conjugado com a inflação de custos”.

A empresa explicou que para mitigar a extrema pressão que advém da rápida queda da inflação alimentar combinada com uma elevada inflação de custos, a Biedronka, trabalhará para converter em volumes e num mix de vendas de maior valor acrescentado um ambiente de consumo que se espera mais favorável.

“Ainda assim, e também perante a decisão da companhia de continuar a investir de forma relevante na atualização dos salários das suas equipas, não excluímos que a margem EBITDA da Biedronka possa vir a sofrer maior pressão do que a registada em 2023”, alertou.

Os analistas do Mbank na Polónia têm uma opinião negativa sobre os comentários da empresa a curto prazo, uma vez que a retalhista reiterou o foco no crescimento do volume em detrimento das margens, sugerindo que está bem preparado para um cenário mais competitivo.

“Este ponto de vista pode indicar que a guerra de preços no mercado polaco de produtos alimentares pode intensificar-se“, disseram, citados pela Bloomberg.
Apontaram ainda para as fracas perspetivas de margem da Biedronka, que se situam abaixo das expectativas, indicando que poderão cair mais de 20 pontos base

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