Lucros da Jerónimo Martins sobem 28% para 756 milhões em 2023. Dividendo sobe para 0,655 euros por ação

As vendas do Pingo Doce subiram 7,9% para 4,9 mil milhões. Na Polónia, a empresa alertou que a deflação alimentar poderá colocar ainda mais pressão na margem este ano do que em 2023.

Os lucros líquidos da Jerónimo Martins JMT 0,57% subiram 28,2% em 2023, para 756 milhões de euros, informou a empresa em comunicado enviado ao mercado. A retalhista liderada por Pedro Soares dos Santos adiantou ainda que vai propor aos acionistas o pagamento de um dividendo bruto de 0,655 euros por ação, o que compara com os 0,55 euros por ação pagos no ano passado relativos ao exercício de 2022.

A empresa já tinha informado, a 11 de janeiro, que o volume de negócios disparou 20,6% para 30.608 milhões de euros em 2023, devido ao forte desempenho de vendas com “foco na competitividade de preço e no crescimento em volume”, que permitiu superar pela primeira vez o marco dos 30 mil milhões de euros de vendas.

No comunicado, divulgado no site da CMVM esta quarta-feira, a empresa sublinhou que o forte desempenho ao nível das vendas em valor e em volume “reforçou as nossas posições de mercado e protegeu a rentabilidade, levando o EBITDA consolidado a crescer 17%“. Essa rubrica, que representa os resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, atingiu os 2,2 mil milhões de euros.

A respetiva margem EBITDA caiu 22 pontos base para 7,1% face ao ano anterior, “refletindo o impacto do investimento em preço e a inflação registada ao nível dos custos”.

Em relação aos resultados do quarto trimestre, a Jerónimo Martins informou que o EBITDA cresceu 14,1% para 578 milhões, uma subida de 7,1% a taxas de câmbio constantes, correspondendo a uma margem sobre as vendas de 7,1%, face a 7,2% no quarto trimestre de 2023. As vendas totais dispararam 16,7% para 8.157 milhões, enquanto o lucro líquido avançou 15,8% para 171 milhões.

Em Portugal, o Pingo Doce registou uma subida de 7,9% nas vendas anuais para 4,9 mil milhões de euros, com venda ‘like-for-like (LFL)’, ou seja comparando as mesmas lojas sem ter em conta novas aberturas, de 7,7%. No segmento cash&carry, o turismo foi o motor de crescimento, com o Recheio a aumentar as vendas em 15,1% para 1,3 mil milhões de euros, com um LFL de 14%.

Nas perspetivas para 2024, a empresa frisou que em Portugal persistem sinais de pressão sobre as famílias relacionados com taxas de juro elevadas, “esperando-se, por isso, que o consumo continue pouco dinâmico”, adiantando que o Pingo Doce “manterá a sua forte e reconhecida dinâmica comercial e prosseguirá com a implementação do novo conceito de loja que evidencia a diferenciação da insígnia, a nível de meal solutions e perecíveis” A companhia prevê remodelar entre 60 e 80 lojas no ano e inaugurar cerca de 10 novas localizações.

Margem na Polónia pode sofrer maior pressão que em 2023

Na Biedronka, lider do segmento discount no retalho alimentar na Polónia, as vendas em moeda local cresceram 18,2%, com um LFL de 14,2%. Em euros, as vendas atingiram os 21,5 mil milhões, mais 22,3% do que em 2022. “O crescimento em volumes manteve-se positivo ao longo de todo o ano, num claro contraste com a queda registada no mercado de retalho alimentar polaco”, referiu.

Este significativo crescimento das vendas impulsionou o EBITDA a aumentar 19,4% (+15,4% em moeda local). A respetiva margem foi de 8,5% (8,8% em 2022), com a evolução “a refletir o investimento em preço, conjugado com a inflação de custos”.

Em termos de crescimento de vendas LFL na Polónia, a tendência de abrandamento no ritmo, atingindo os 5,1% no quarto trimestre, face aos 24,5% no primeiro. Em janeiro, quando estes números foram revelados, os analistas mostraram desilusão face aos 7% que esperavam para os últimos três meses do ano, o que aliado com uma possível guerra de preços num ambiente mais concorrencial, levou a uma queda de 7,17% nas ações no dia seguinte.

 

No quarto trimestre, a margem EBITDA foi de 8,5% versus 8,7% no período homólogo. “Embora a Biedronka, tal como no terceiro trimestre, tenha beneficiado, também no quarto, de um comparativo favorável do preço da eletricidade e da normalização das cadeias de abastecimento em relação ao mesmo período do ano anterior, a pressão do investimento em preço e da elevada inflação dos custos refletiu-se na evolução da margem”, explicou a empresa.

Pedro Soares dos Santos, CEO da Jerónimo Martins, explicou no comunicado que “neste arranque de 2024, estamos conscientes de que a deflação alimentar que estimamos para o primeiro semestre será o nosso maior desafio, uma deflação que tenderá a levar à priorização do crescimento dos volumes por parte de todos os retalhistas e, consequentemente, a uma crescente intensidade concorrencial nos mercados em que operamos”.

A empresa sublinhou que na Polónia, “num contexto concorrencial que se intensificou e no qual o preço se revela mais do que nunca como o fator decisivo de compra, a Biedronka manterá a liderança de preço e dará prioridade ao crescimento de vendas, alavancando na sua força comercial para criar ainda melhores oportunidades de poupança e de valor para os consumidores polacos”.

Adiantou que para mitigar a extrema pressão que advém da rápida queda da inflação alimentar combinada com uma elevada inflação de custos, a Biedronka, trabalhará para converter em volumes e num mix de vendas de maior valor acrescentado um ambiente de consumo que se espera mais favorável. “Ainda assim, e também perante a decisão da companhia de continuar a investir de forma relevante na atualização dos salários das suas equipas, não excluímos que a margem EBITDA da Biedronka possa vir a sofrer maior pressão do que a registada em 2023”.

Na Colômbia, o grupo inaugurou 200 localizações na rede de supermercados Ara, terminando o ano a operar 1.290 lojas. As vendas atingiram 2,4 mil milhões no ano, 37,7% acima de 2022. O EBITDA foi de 45 milhões de euros, face a 60 milhões de euros em 2022, com a respetiva margem a situar-se nos 1,9% (3,4% em 2022).

Dividendo representa metade dos lucros

Em relação à remuneração acionista, o Conselho de Administração vai propor à Assembleia Geral Anual de Acionistas a distribuição de 411,6 milhões de euros em dividendos, correspondente à aplicação da política de a um dividendo bruto de 0,655 euros por ação (excluindo as 859.000 ações próprias em carteira) e representa um payout de cerca de 50% dos resultados consolidados ordinários (ou cerca de 54% dos resultados líquidos consolidados), quando excluídos os efeitos da aplicação da IFRS16.

“A proposta de distribuição de dividendos permite ao Grupo preservar a flexibilidade para continuar a investir de acordo com os seus planos de expansão e aproveitar potenciais oportunidades de crescimento não orgânico, mantendo, em simultâneo, a força do seu balanço”, explicou a empresa.

Sublinhou ainda que a “visão de longo prazo mantém-se válida e reiteramos o compromisso com o nosso programa de investimento, que, em 2024, se espera venha a cifrar-se em 1,2 mil milhões de euros, em linha com o realizado em 2023”.

“Para além da expansão e remodelação das redes de lojas, o programa inclui o reforço da operação logística na Polónia, em Portugal e na Colômbia e considera também o investimento inicial para lançar a operação na Eslováquia, cujas primeiras lojas deverão abrir no final deste ano,” acrescentou.

Antes da divulgação dos resultados, as ações da Jerónimo Martins encerraram a sessão de quarta-feira a subir 1,03% para 21,50 euros cada.

 

[Notícia atualizada às 19h07]

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