Bancos cortam juros dos depósitos pelo 14.º mês seguido

Remunerações das novas aplicações a prazo desceram para 1,83%. Bancos continuam a cortar juros dos depósitos apesar dos avisos do governador Mário Centeno.

Os bancos continuam a cortar os juros dos depósitos. A taxa média das novas aplicações baixou em fevereiro para os 1,83%, menos 0,15 pontos percentuais em relação a janeiro. Foi o 14.º mês seguido de quedas e isto apesar dos avisos do governador do Banco de Portugal, Mário Centeno.

Com esta nova descida, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo de particulares caiu para o valor mais baixo desde julho de 2023, de acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal. Na Zona Euro, em apenas quatro países os bancos pagam menos pelas poupanças das famílias.

Juros dos depósitos em queda

Fonte: Banco de Portugal

A redução dos juros dos depósitos surge num quadro de alívio geral das taxas do Banco Central Europeu (BCE), depois da escalada nos últimos anos para travar as pressões inflacionistas. Mas no caso de Portugal o tema tem motivado muitas críticas em relação à postura dos bancos, que foram mais lentos a subir e agora estão a ser mais rápidos no ajustamento em baixa.

Mário Centeno tem sido uma das vozes mais críticas. Há um mês o governador do Banco de Portugal considerou que “não era compreensível” os bancos pagarem tão pouco pelas poupanças das famílias quando conseguem obter uma remuneração superior nos fundos que depositam junto do banco central. “É uma responsabilidade social da banca gerir as poupanças dos portugueses, gestão que é feita com base no sistema que depende da confiança e foi a falta de confiança que nos trouxe às anteriores crises anteriores. Não podemos pôr em causa nunca essa confiança”, avisou.

Do lado dos bancos, argumenta-se que se trata de um tema de concorrência. Há muita liquidez no sistema, mais do que aquela que os bancos conseguem alocar na economia sob a forma de empréstimos às famílias e empresas, razão pela qual não se sentem compelidos a oferecerem taxas melhores nos depósitos.

Também argumentam que mesmo com os juros em baixa, continuam a captar depósitos. Isso é verdade. Os dados do supervisor mostram que as famílias portuguesas aplicaram 11,7 mil milhões de euros em depósitos a prazo em fevereiro, embora menos 1,4 mil milhões em relação ao mês anterior.

Em comparação com a Zona Euro, onde a média se situou nos 2,22%, Portugal tem a quinta pior remuneração dos depósitos. No Chipre, Grécia, Eslovénia e Croácia os bancos pagam ainda menos do que na banca portuguesa.

No que toca aos depósitos de empresas, a remuneração média das novas aplicações a prazo baixou do 2,44% em janeiro para 2,29% em fevereiro, com as novas operações a totalizarem os 8,73 mil milhões de euros.

(Notícia atualizada às 11h31)

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