Dos EUA e Europa à Ásia, novas tarifas de Trump ditam maré vermelha nas bolsas
A bolsa de Lisboa está a ser exceção ao sentimento negativo que se vive nos mercados financeiros após o anúncio do Presidente dos EUA. Fabricantes automóveis não escapam às perdas.
As novas tarifas alfandegárias anunciadas pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, estão a provocar fortes reações nos mercados financeiros. Da Europa à Ásia, passando pelos EUA, os principais índices bolsistas caem a pique, com impacto, particularmente, em cotadas que dependem de cadeias de abastecimento globais.
O anúncio de Trump feito na quarta-feira na Casa Branca no dia em que o próprio intitulado de “Dia da Libertação” foi feito após o fecho dos mercados bolsistas norte-americanos, que encerraram em alta ligeira na quarta-feira. Mas o discurso desencadeou um sell-off nas negociações após o fecho do mercado, com os futuros do índice S&P 500 a inverterem os ganhos e caírem 1,7%, sugerindo que os investidores esperam perdas profundas quando Wall Street abrir esta quinta-feira.
Já esta manhã, os contratos de futuros agravam essas quedas, antevendo uma abertura do S&P 500 e do Nasdaq a cair 2,9% e 3,2%, respetivamente. O sell-off é particularmente visível nas ações das “Sete Magníficas”, com particular destaque para a Apple e a Amazon.com, que estão a negociar a poucas horas da abertura de Wall Street com quedas de 6,8% e 4,9%, respetivamente.
Na Bolsa de Tóquio, o sentimento também foi negativo. Após ter chegado a negociar com perdas de 4%, o índice de referência, Nikkei, terminou o dia com uma descida de 2,77%, nos 34.735,93 pontos, enquanto o índice mais alargado, Topix, fechou em queda de 3,08%, para 2.568,61 pontos.
As principais bolsas da Europa também não são exceção e abriram com fortes perdas, com os investidores a reagirem às tarifas globais de base de 10% e à taxa recíproca de 20% imposta à União Europeia pela Administração Trump.
O pan-europeu Stoxx Europe 600 — um cabaz das maiores empresas da Europa — está a cair cerca de 1,3% pouco depois da abertura, com praticamente todos os setores do índice a encontrarem-se no vermelho, com particular foco as atividades do consumo cíclico, financeiro e industrial, que acumulam perdas acima dos 2%.
Entre os principais índices europeus, destaque para o índice DAX da Alemanha que está a desvalorizar 1,3%. Em Espanha, o IBEX 35 recua 0,7%, mas é o francês CAC 40 e o neerlandês AEX que apresentam as maiores quedas, corrigindo 1,8% e 1,7%, respetivamente.
As ações de empresas como a Adidas e a Puma estão a tombar perto de 10%, mas é na indústria pesada que as empresas europeias sentirão as piores consequências. A Siemens desvaloriza 4%, enquanto fabricantes de automóveis alemães — também sujeitos a novas tarifas enormes sobre as importações pelos EUA — estão igualmente em queda.
Já o principal índice do Reino Unido, o FTSE 100, está a desvalorizar cerca de 1%. Com Trump a impor apenas a tarifa base de 10% à economia britânica, o primeiro-ministro Keir Starmer disse que “ninguém ganha numa guerra comercial, que não é do interesse nacional”. “Temos uma relação comercial justa e equilibrada com os EUA”, reforçou.
Em Lisboa, o índice PSI abriu em queda de cerca de 0,1%, mas está neste momento a valorizar 0,8%, impulsionado pelos ganhos de mais de 6% da EDP Renováveis, sendo também de destacar a subida de mais de 4% da ‘casa-mãe’ EDP.
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